Trump volta? Se volta, quando volta?

Trump volta? Se volta, quando volta?

Uma das grandes discussões nos fóruns, redes sociais e comunidades de debates sobre a política americana é: O Trump vai mesmo voltar em agosto? Novembro?

Para responder a esta pergunta de maneira honesta, precisamos ter de maneira clara quais são os processos que possibilitariam o retorno do ex-presidente à casa branca.

O “Plano” Arizona

O principal argumento utilizado para dar vida à possível volta de Trump ainda em 2021 envolve a auditoria no estado do Arizona quanto às fraudes eleitorais e seus métodos. Neste artigo não irei me ater ao como foi feito ou ao resultado de momento da auditoria, mas assumir a premissa que consigam provas jurídicas quanto ao fato.

Os EUA não possuem uma eleição centralizada, muito pelo contrário, temos de fato um total de 50 eleições, sendo que cada estado realiza uma eleição popular interna e o candidato vencedor leva o voto de todos os delegados do estado, o famoso “the winner take it all”. Logo, se o Arizona descertificar os votos de seus delegados eleitorais, a maioria simples que define o vencedor do pleito passaria de 270 votos para 259, resultado que ainda manteria Joe Biden como o vencedor de fato e com segurança constitucional. Seguindo este processo seria necessário que pelo menos dois estados com um número alto de delegados seguissem o mesmo processo, Georgia e Pensilvânia por exemplo.

Mesmo com este cenário acontecendo, não temos previsão constitucional do que seria feito neste caso: Trump seria declarado o vencedor? Seriam convocadas novas eleições?

Provavelmente a suprema corte não se envolveria uma vez mais e a questão iria recair sobre a câmara e senado, onde os democratas possuem a maioria de votos.

Como podemos observar, os meios legais e constitucionais são praticamente impossíveis de serem alcançados.

Então, qual o REAL plano de Donald Trump?

Trump sabe que para vencer novamente as eleições e o resultado manter-se integro, será necessário alterar as regras eleitorais. Como dito acima, nos EUA temos um total de 50 eleições, sendo assim necessário que estas regras sejam alteradas em cada estado, ou pelo menos nos swings states (estado que mudam de partido de maneira contínua). Para este processo ocorrer Donald Trump precisa percorrer alguns passos específicos, vamos a eles:

  1. Imagem ativa: Trump perdeu um espaço importante nas redes sociais, uma tentativa de silenciar sua presença e mensagem para as pessoas. Desta forma ele conta com novas redes sociais que começam a surgir e acima de tudo com os comícios em diversos estados, o que já vem ocorrendo.
  2. Garantir maioria dentro do GOP (Partido Republicano): Uma boa parte do partido republicano é repleta de RINOs (Republicans In the Name Only – Republicanos somente no nome). Donald Trump precisa criar uma maioria de apoiadores à sua agenda MAGA (Make America Great Again – Faça a América Grande Novamente) e derrotar seus adversários internos na maioria dos condados americanos, sobretudo nos swings states.
  3. Eleger o máximo de representantes (deputados) estaduais e federais; e senadores estaduais e federais: no final de 2022 teremos as eleições de midterm (meio de mandato) onde estarão em disputa:
      • 34 cadeiras no senado federal.
      • Todos as 435 cadeiras da Câmara Federal.
      • 36 estados escolherão o seu governador.
      • Eleições legislativas estaduais bicameral (Senado e Câmara):
          • Califórnia
          • Michigan
          • Nebraska
          • Nevada
          • Oklahoma
          • Pensilvânia
          • Texas
          • Washington
          • Wyoming
      • 30 estados, 3 territórios e o distrito federal irão eleger um novo procurador-geral.
      • Centenas de cidades irão escolher um novo prefeito, sendo que algumas das principais cidades do país estarão no pleito: Lexignton, Long Beach, Lubbock, Newark, Newport Oakland, Reno, San Bernadino, Tallahassee, Washington DC, Austin, Los Angeles, North Las Vegas, San Jose etc.
      • Eleições locais para xerifes também entram em diversos condados.
  4. Pós-eleição: A maioria destas posições são de extrema importância para que Trump consiga aumentar sua influência local nos condados, distritos e estados, possibilitando que os novos representantes, chancelados por ele em seus comícios, lutem por regras mais rígidas em cada estado, garantindo assim eleições mais seguras em 2024

Mesmo com os passos acima, os Republicanos precisam garantir mudanças nas regras eleitorais já para as eleições de 08 de novembro de 2022, pois ainda existe o risco de as mesmas falhas serem exploradas pelo partido das sombras. Justamente por isto Trump tem investido pesado na abertura de auditoria em estados como Michigan, Pensilvânia e Georgia, para que os atuais legisladores apliquem regras mais rígidas já para o próximo pleito.

Qual data para Trump “voltar”?

Existe uma possibilidade ainda pequena de que Donald Trump seja candidato a uma cadeira no senado ou na câmara federal, porém é muito improvável que este movimento aconteça, Trump deseja voltar à cena política para seu segundo mandato na sala oval da casa branca, sendo este também o último, tendo m vista que a 22ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos estabelece limite de dois mandatos a qualquer pessoa (promulgada em 1947).

Donald Trump sabe que para conseguir voltar à casa branca e acima de tudo, quebrar as algemas do stablishment – democrata e republicano – ele precisa que pessoas engajadas e anti-stablishment comecem a tomar as posições desde a base da pirâmide política americana, para que assim ele possa conseguir a nomeação nas primárias republicanas de 2024 e concorrer novamente em um pleito “limpo”, caso a idade e/ou sua saúde não permita que isto ocorra, ele terá cumprido o seu dever de auxiliar uma nova geração de republicanos a levantar-se contra o leviatã burocrático do “deep state” e o “partido das sombras”.