Como nossas expectativas influenciam a nossa realidade?

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Uma das brincadeiras que acho mais divertidas na internet é aquela que mostra duas imagens: uma com a expectativa da pessoa – geralmente algo positivo, bonito, agradável, como a do homem no trabalho, pensando como vai ser quando chegar em casa, sentado no sofá, com uma cerveja na mão e o futebol na tv, – e a outra com a realidade como ela é – quase sempre algo bem menos glamouroso, como a do mesmo homem chegando em casa, com seus filhos correndo para todos os lados, sua mulher brava por causa do horário e a pia cheia por que o encanamento entupiu.

O que mais gosto nessa brincadeira é que ela possui um fundo de verdade. É comum criarmos certas expectativas, impulsionadas por nossos desejos, que não se materializam, simplesmente, porque não condizem com a realidade. Nossa cultura atual nos impulsiona nesse sentido. É a tal da psicologia positiva; o discurso motivacional. Somos induzidos a supervalorizar nossas capacidades e possibilidades. E isso, obviamente, é o prenúncio da frustração.

Por outro lado, não é incomum o contrário: acreditarmos que podemos menos do que realmente podemos. É fato que possuimos talentos e potências que, muitas vezes, não reconhecemos, além de possibilidades disponíveis que não vislumbramos. Isso diminui o tamanho do nosso mundo e acaba sendo uma sentença proibitiva. Se achamos que não podemos alcançar algo que, na verdade, podemos, não o alcançaremos jamais.

Eu não gosto de ouvir sobre crenças limitantes, porque essa se tornou uma expressão vulgarizada e exagerada, dando a idéia de que tudo na nossa vida só não acontece porque não cremos que pode acontecer. No entanto, não podemos negar que nossas convicções nos moldam e, se elas representam algo abaixo de nossas reais possibilidades, nos condenarão a uma vida inferior àquela que poderíamos ter.

O que deveríamos fazer, então? Tentar adequar nossas expectativas à realidade, cuidando para que não estejam além das nossas verdadeiras possibilidades, mas, também que não sejam pequenas demais, cuidadosas demais, medrosas demais, mantendo-nos aquém de onde poderíamos chegar.

A verdade é que geralmente podemos mais do que pensamos que podemos e menos do que gostaríamos poder. Só precisamos, então, ajustar tudo isso ao verdadeiro. Lembrando que o verdadeiro não é o que eu sei, experimento ou acredito, mas o que realmente é.