Futebol Chinês e a supressão de liberdade

Por que estou falando de futebol, em especial o chinês? Quem me acompanha sabe que sou um grande amante de esportes coletivos, em especial o futebol. Navegando pela internet me deparei com esta notícia que chamou minha atenção por diversos motivos:

Naturalização de jogadores na China: renúncia à nacionalidade brasileira e novo “batismo”

O processo de aquisição da Cidadania Chinesa

Para esta análise destaco pequeno trecho da reportagem para comentar:

O que isso significa? Com o passaporte chinês em mãos, todos eles deixarão de ter a nacionalidade brasileira. E jamais poderão conseguir de volta? Podem fazer o caminho inverso, entrar com pedido de renúncia na China e solicitar a brasileira. Mas para isso, o governo chinês precisa aceitar, caso contrário, não voltarão a ser cidadãos brasileiros.

O estado ditatorial comunista chinês não permite que nenhum de seus cidadãos possuam dupla nacionalidade, sendo assim todos os estrangeiros que desejam tornar-se cidadão chineses devem renunciar a sua nacionalidade de origem. O texto não trata o real motivo, porém isto faz parte de uma política rígida de um estado polícial que controla a pulso firme a liberdade de seu povo.

Estes atletas assim perderão todos os seus direitos como brasileiros, tendo que renunciar sua pátria e inclusive o seu próprio nome, você não leu errado, além da mudança total de nacionalidade os novos cidadãos chineses são obrigados a adotarem um novo nome nacional, no caso o chinês. Alguns jogadores já trilharam este caminho, como o ex-britânico e agora chinês Nicholas Harry Yennaris, rebatizado com o nome de Li Ke.

Neste complexo processo, os familiares dos atletas não estão inclusos, mantendo eles assim a nacionalidade de origem:

O processo de naturalização chinesa deve ser feito apenas com os jogadores, os familiares ficam com o passaporte brasileiro, não mudam suas vidas neste sentido.

Alguns fatos históricos

A China ao contrário do que muito pintam é uma das maiores ditaduras do mundo atualmente. O grande fundador do regime, Mao Tsé Tung foi responsável pela morte de dezenas de milhões de chineses nas décadas de 40, 50 e 60. Seu predecessores iniciaram ainda nos anos 1970 um processo de glasnost e uma falsa estratégia das tesouras com a união soviética com o intuíto de aproximar-se do ocidente capitalista. A estratégia deu certo e a China cresceu absurdamente no âmbito econômico, mas nunca deixando de lado o forte controle do estado e dos cidadãos.

O atual presidente e secretário geral do partido comunista chinês Xi Jinping já é igualado historicamente com Mao Tsé Tung, vale destacar palavras do próprio líder em 2017 para o próprio partido:

“Se nos desviamos do marxismo, ou o abandonamos, nosso partido perderá sua alma e seu curso”

A China possui um forte controle da população, não só ditando regras morais e sociais como também a religiosa e de imprensa, segue uma pequena lista:

Mas o que isso tem com o futebol chinês?

Estes atletas ao renunciarem sua cidadania não devem ter consciência do real estado de coisas que acontece no país asiático, pois são tratados como celebridades e precisam “vender” ao mundo as maravilhas chinesas. Este processo é muito bem descrito pelo Ex-Chefe de Espionagem Romeno Ion Mihai Pacepa no livro Desinformação, onde relata o processo de articulação para vender uma imagem irreal do país, levando os “alvos” – políticos, jornalistas, atletas, etc – a locais selecionados a dedo: Hotéis luxuosos, belas mulheres, fartura gastronômica e as melhores bebidas (Algo muito similar ao ocorrido recentemente com alguns políticos brasileiros).

 

Como cidadãos chineses, estarão totalmente sob o julgo do governo comunista, suas regras, suas leis e limites impostos. Estarão submetendo suas famílias indiretamente a estas alguras. Deverão obdiência cívil e militar a um estado que está em crescente ebulição econômica, política, religiosa e bélica. Vale lembrar a repressão ao Tibet e a crise com Hong Kong.

Em suma, estes atletas estão abrindo mão de sua liberdade por uma falsa ilusão de continuidade de seu modo de vida, que pode ser real enquanto atuam como atletas, em nome do sonho de disputar uma copa do mundo de futebol como cidadão chinês.

Rogo que em um futuro de crise estes atletas tenham refúgio garantido em seus países de origem, mesmo tendo relegado tudo em nome do dinheiro e falsas ilusões.

Escrito por

Paulo Henrique Araujo

28 Artigos

Palestrante, Apresentador e Diretor Executivo do PHVox.
Ver todos artigos

2 comentários em “Futebol Chinês e a supressão de liberdade”

  1. Que o PCC submete os chineses à ditadura é um facto inquestionável e, claro, reprovável. Porém devo discordar quanto à “condenação” de um Estado por este só outorgar a cidadania se a pessoa renunciar à sua nacionalidade de origem…digo isto por ter experiência como portuguesa vivendo num país estrangeiro, a Suiça. E devo constatar que a grande maioria dos estrangeiros que se tornam suíços o fazem por oportunismo, muitas vezes sem verdadeira integração na cultura do país. Isso acontece muito com pessoas oriundas de países muçulmanos, mas os portugueses não ficam atrás por vezes, e o país se vê confrontado com uma grande percentagem de “suíços” que na verdade são estrangeiros naturalizados, e que cometem crimes ou por vezes recusam categoricamente adotar os costumes do país, sem que o país nada possa fazer… muitos também insistem em dar nomes de suas culturas aos filhos cá nascidos, e que por vezes não são fáceis de pronunciar… nas escolinhas é comum as professoras ensinarem as crianças a cantar “parabéns” em diversas línguas como albanês, português, etc. enquanto isso o nível de conhecimento da língua oficial vai diminuindo de ano para ano, e as crianças são mal alfabetizadas… por isso os “conservadores” do país querem que se exija a perda de nacionalidades de origem, para que só os que se integram mesmo peçam a nacionalidade. Dar a nacionalidade é também correr o risco de integrar na vida política do país pessoas que venham modificá-la drasticamente com ideias que vão paulatinamente transformar esse país, até que ele perda a sua essência…aqui na Suíça isso já aconteceu, e 25% da população é de origem estrangeira…

Deixe um comentário

Your email address will not be published. Required fields are marked *