UBER e a Perseguição aos racistas; ou, A intimidação do bem dos comunistas

Então, amigos, não é que por esses dias recebi – do UBER – uma mensagem na qual, de forma velada, eu fora, ao mesmo tempo, acusado de ter sido (quiçá ainda ser) racista e, também, com um nítido conteúdo admoestatório, intimidador mesmo.

Obviamente que, sempre em nome de nobilíssimas causas, a intimidação se deu através da singela, fofa, pergunta: “Você já foi racista?”. Daí toda uma explicação é seguida, alertando, inclusive, que racistas não são bem vindos à plataforma e que são expulsos da mesma.

Acontece que, diz a missiva, é natural que no caldo de cultura no qual fomos criados (subtenda-se: branco, católico, heterossexual, opressor, enfim) é natural que já tenhamos sido racistas sem o saber!

Não se trata de uma pergunta, afinal: “Você já foi racista?” A UBER, na verdade, afirma aos seus usuários: “Vocês já foram racistas!”

Ainh, Paulo Papini – dirão alguns – não é isso que está escrito! Essa é sua interpretação – dirão outros. É meus amigos, se tem algo que 25 anos de Advocacia e quase 50 de vida (e gosto pela leitura) me deram foi o “dom” de aprender a ler nas entrelinhas.

Com frequência um cliente entra no meu gabinete e rapidamente, nos primeiros dois minutos de conversa, eu identifico qual o seu problema e a solução para o mesmo. O resto da reunião – se a pessoa for agradável a esse ponto – dedicarei a falar de carros antigos, servir um café expresso e um pedaço de bolo de fubá, artigo essencial à qualquer escritório de Advocacia que faça jus ao nome.

Fiz uma digressão e esqueci, por um instante, do que estava falando…

Ah, sim, do UBER e sua política intimidatória… Na verdade a UBER [e vale para todas as grandes corporações que têm como missão substituir Estados Nacionais e as Religiões, em especial o Cristianismo-Católico] querem lhe impor o conceito de que você, ainda que involuntariamente, já foi, em algum período de sua vida, racista.

Bem, duas alternativas lhe serão dadas. A primeira: negar veementemente que já foi/fui racista. Ora bolas, não é um nerd-gordo-espinhudo¹ do Vale do Silício que vai definir se o Paulo Papini foi ou não foi racista. Não é esse nerd que vai dizer se eu pratiquei, ou não, um ato criminoso.

(Da mesma forma que acabei de fazer, judicialmente, o Google colocar num lugar bem apropriado seus Termos e Condições de uso, vide meu artigo anterior.)

Só que existe um pequenino problema nisso tudo! Alguém duvida que nós nos recusarmos a nos reconhecermos como racistas, em algum momento de nossas vidas, tal negativa será encarada como uma confissão de racismo e, logo, seremos banidos da plataforma; por outra, seremos banidos da UBER, que obviamente passará nossos dados como “propagadores de ódio racial” e seremos banidos de outras plataformas também, como YouTube, Facebook, gMail, dentre outras.

Cortemos para Olavo de Carvalho. Nada acontece na vida que não tenha acontecido antes na Literatura. O Bruxo da Virgínia é f…[estou segurando no calão, tanto em razão da minha profissão e da minha vida acadêmica, quanto em respeito aos amigos que estão lendo esse artigo. Imagino o Ivan Kleber arrancando os pouquíssimos pensando sobre meu texto: Edit or not edit. This is the question?]. Brincadeiras à parte, dizer que Olavo de Carvalho é um gênio é uma platitude, uma obviedade.

Ocorre que se buscarmos o Conto² que escrevi para este espaço, “O Dia em que Ayrton Senna não morreu na Tamburello”³ poderão constatar que já fiz exatamente essa previsão. Escrevi o texto em maio do ano passado. Citamos entrecho onde Paulo Papini, o Profeta⁵, antevê o que vivemos hoje:

Sim, nos plebiscitos e debates públicos que ocorreram, fui um enfático defensor das penas de banimento a quem cometesse aquele odioso crime. O argumento era lógico, científico, corroborado por dissertações de mestrado e teses de doutoramento. O banimento digital dos propagadores de Fake News ia ao encontro dos Direitos Fundamentais a um meio ambiente saudável, à saúde pública e à vida.”

Vocês estão vendo, amigos? Está acontecendo. Muito em breve, ou você será obrigado a reconhecer um ato de racismo ou será banido, num primeiro momento, do UBER, depois, de Redes Sociais, Serviços Bancários, Planos de Saúde, etc.

Haverá sim, a solução de você se render e confessar o crime que não praticou e – obviamente – pagar maiores tarifas para compensar seus “crimes pretéritos”⁶. Mas só isso não basta. Uma corrida de UBER da minha casa ao meu escritório custa, aproximadamente, R$ 10,00. Talvez fosse irrelevante à minha pessoa (num Universo Paralelo onde eu não tenha tomado a red pill ) pagar R$ 13,00 pelo meu racismo- involuntário-pretérito e esquecer a questão. Não, apenas isso não basta. Para que a escravidão funcione, necessário se faz que sejamos humilhados.

Então, amiguinhos, não duvidem que para usar um serviço de transporte por aplicativo (e depois todos os outros) sejamos obrigados a cumprimentar o motorista com gestuais do movimento So Sorry! dos EUA ou, por outra, que sejamos obrigados a usar grilhões em nossas mãos e pés durante as corridas.

Particularmente, gosto de acreditar que, pagando todos os preços inerentes, terei coragem e forças para resistir a essa patifaria. Certezas eu não posso dar a vocês. Aliás, aquele que diz que não se rende em hipótese alguma, normalmente é o sujeito que – quando o calço entorna – é o primeiro a pedir água. Mais ou menos como os franceses na Segunda Guerra Mundial e seus 3 clássicos movimentos marciais: “se esconder, se render e colaborar!”

1 Antes que comece o mimini, já adianto que esse comentário nada tem de gordofóbico, ok. Este que voz escreve tem 1,92m e 125kgs. Por outra, estou, alguma coisa como, 30kgs acima do meu peso ideal.

2 Não é porque é meu não, leiam que está bom. Particularmente, muito bom.

3 Aliás, não nego (visto que sempre fui apaixonado por ficção científica e Ciências Duras – tem horas que me pergunto por que carga d ́água fui para as Ciências Humanas) que me inspirei muito em alguns livros/filmes como “O Planeta dos Macacos”, “No Mundo de 2.020”, “1984”, “O Processo”, dentre outros.

4 Ah, antes que perguntem, esse texto e “O Dia em que Karl Marx saiu para procurar emprego” se passam no mesmo Universo Ficcional. Seria arrogante de minha parte chamar de Papiniverso?

5 SIC.

6 E caberia aqui um ensaio sobre o Princípio da Legalidade.