Da vida

Da vida

 

Já vi alguns invernos

Já vi alguns infernos

Vi infernos em invernos

E invernos em infernos

 

Com cantos tristes já sorri

Com cantos alegres já chorei

Em cantos tristes já me ri

Em alegres cantos lamentei

 

Em todo canto ouvi (e houve) um canto

 

Já estive seco na garoa

E já no sol eu me molhei

Em seca fiz colheita boa

Com meu suor eu já reguei

 

Já fiz limão de limonadas

Me reverti e me fiz também

Deixei das jarras adoçadas

Pois o azedo eu quero bem

 

Em algumas trevas já fui luz

Em algumas luzes fui escuro

Mas nessa vida eu nunca pus

Minha cabeça sobre o muro

 

Na ordem já fiz anarquia

Já na revolta fiz reação

Hoje vivo de poesia

Pra não morrer de razão

 

De tão conservador conservo a dor

Em algumas delas me libertei

Aprendi com vida algum valor

Até a morte os levarei