Poesia – De passagem

Essas vilinhas bucólicas

Quiçá melancólicas

Com bodes amarrados em algarobeiras

Recordam-me algo que fui, talvez.

Falo de um sujeito mais manso . . .

Nem sei . . .

Hoje sou mais como aquele

Rio seco, agreste . . .

Eu até vou p’ro destino

Mas me arrastando

Como lágrimas em face rugosa

Lágrimas d’um olhar seco

Olhar que observa bodes

Em vilinhas bucólicas

Fartas de algarobeiras

E vê nisso poesia

(E os bodes me olham… Com olhos mais úmidos que os meus).

 

 

Anderson C. Sandes — Poeta, autor de Baseado em Fardos Reais, organizador da Antologia Quando Tudo Transborda. Graduado em Pedagogia.