De volta para Casa

 

Há exatamente um ano, dei o primeiro passo definitivo em direção a minha conversão.
Procurei o telefone da secretaria da Paróquia mais próxima da minha casa para me informar sobre os horários de confissão. Mas quando a gentil senhora que me atendeu me informou que as mesmas ocorriam meia hora antes das missas, senti-me na obrigação de explicar-lhe o meu caso, fornecendo-lhe alguns detalhes adicionais.

Estava afastada da Igreja Católica há pelo menos duas décadas, mas não me confessava há mais que o dobro desse tempo, e receava que o horário convencional no confessionário não fosse o mais adequado para essa minha primeira confissão. Ela, compreensiva, agendou para mim um horário no meio da semana para que eu recebesse orientação espiritual com o Padre local.
Foi um passo definitivo, e me enchi de coragem e esperança para esse momento que marcou e transformou definitivamente a minha vida.

A Igreja da minha paróquia, é uma Igreja linda, pequena e bastante simples, mas de grande valor histórico. Foi construída por jesuítas em 1650, e seu estilo arquitetônico é o colonial.
Está localizada num pequeno morro de onde podia-se observar a enseada de Itaipu, mas hoje essa visão está parcialmente obstruída por várias construções a beira mar.
Mais adiante e mais próximo da orla, encontram-se os escombros do que foi antigo Recolhimento de Santa Tereza, fundado em 1784, hoje parcialmente recuperado para abrigar um pequeno museu arqueológico que parece realmente não atrair muitas pessoas para admirar artefatos indígenas, nem ossos de oito mil anos. E os muros de pedras unidas com óleo de baleia e demais partes do prédio em ruínas, estão cercados por um estacionamento que não permite ao transeunte desatento perceber sua beleza, tão pouco ouvir todas as vozes que ecoam daquelas paredes seculares.

Sempre gostei de passear nos arredores desses edifícios, contempla-los e imaginar todas as histórias que tinham presenciado.
Minha admiração especial pela Igreja de São Sebastião de Itaipu é por perceber a força que dela emana, e a sua resistência ao tempo, ao abandono e ao descaso durante os séculos, me impõe um imenso respeito.
Acho mesmo incrível que ainda esteja ali, firme e inabalável.

No dia e hora marcados fui carinhosamente acolhida pelo Padre que me cedeu mais de uma hora de seu tempo para receber minha confissão e me orientar em direção a verdadeira conversão.
Após o ato de contrição, designadas as penitências e demais recomendações, iniciamos uma conversa que consistiu em numerosas perguntas que o padre me fez sobre temas relacionados ao longo período pagão da minha vida. Quis saber mais sobre a minha família, trabalho e outras atividades, e a militância política que me afastou da Igreja na juventude.
Padre José é desses Párocos que faz questão de conhecer os seus paroquianos, e ali, naquele momento, tive a certeza de que estaria sob seus cuidados, e sabia que precisaria do seu apoio pois tinha ainda um longo caminho a trilhar, depois desse passo decisivo.

Saí da Igreja feliz como uma criança que finalmente volta para casa depois de se ver perdida no mundo e sem esperanças de rever seu pai e sua mãe, mas que finalmente se encontra em seus braços recebendo seus carinhos.

Contrição e penitência são graças que Ele, que nos ama imensamente, nos oferece constantemente e que eu, por não compreender os sacramentos, os recusei por tanto tempo.
A verdade é que o mundo sem Deus só nos oferece solidão e desconfiança e torna o nosso coração impenetrável como uma pedra. Vivi com esse sentimento por longos anos da minha vida.

Foi somente durante o meu processo de conversão que tive a graça de compreender que é somente através da fé na verdadeira Igreja, que tem o poder de “ligar e desligar” que Jesus lhe concedeu, que eu poderia novamente alcançar a comunhão com o Cristo ressuscitado, com quem eu havia rompido a partir de uma vida de péssimas escolhas, que começou quando eu O abandonei.

Ao sair, e de volta para casa, parei novamente para admirar longamente aquela linda Igreja, que por tanto tempo rondei sem coragem de penetrar, e o meu coração se encheu de um sentimento gratidão imensa, por ter-me esperado por tanto tempo ali, firme e inabalável.

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21 comentários em “De volta para Casa”

  1. Me identifiquei muito com esse relato. Inclusive, utilizei o mesmo termo quando falei com o Padre Renato: “Estou voltando para casa após vinte anos afastado.”
    Apesar da minha família se definir como católica, não tive um bom catecismo na infância e, consequentemente, não tive interesse algum pela minha fé de batismo durante a adolescência. Confesso que flertei com outras religiões, mas não teve jeito. Voltei para a Santa Igreja Católica!
    Muito obrigado por compartilhar sua experiência de vida.
    Salve Maria e Viva Cristo Rei!

  2. Teresa, vc me emociona .
    Que gratificante ler seu depoimento.
    Seja bem vinda com todas as bênçãos de Deus e a companhia amorosa de nossa Mãe Santíssima .

  3. Gratidão por compartilhar sua história. Apesar de frequentar a igreja, não confessava porque achava que “não precisava” depois entendi com o Padre Paulo Ricardo que tinha caído no conto da relativização do pecado. Agora entendo melhor os valores do conservadorismo voltei a igreja de corpo e alma. Boa jornada para todos nós 🙏

  4. Obrigada por compartilhar sua experiência. Me identifiquei um pouco. Estive por 25 anos distante do catolicismo. Frequentei centros kardecista em busca de respostas, há um ano, após começar a seguir o grupo Vinde Vede, voltei a acompanhar novenas e terços. Aliás, a Internet ajuda muito a rezamos juntos nas missas, no terço de Jericó, com o Pedro Siqueira (iluminado!) e etc. É muito reconfortante e a energia é incrível. De lá pra cá minha força só aumenta, assim como minha certeza de que não é possível viver sem Jesus Cristo no coração.

    1. Obrigada por compartilhar sua história. Eu tive a ajuda dos vídeos do Pe Paulo Ricardo e me tornei sua aluna no site. Muito bom! Tem cursos maravilhosos!!!

  5. Obrigada por compartilhar sua história. Estou passando por uma fase de renovação interior. Como tem sido complicado querer estar mais próximo de Deus enquanto o mundo te pressiona contra Ele. Não pretendo desistir. Sempre fui católica mas parece que só agora, aos 42 anos, é que descobri a minha Igreja.

    1. Luciene, não é fácil, principalmente quando vemos a nossa Igreja em crise. Mas é agora que ela precisa mais de nós. Não desista!

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