Qual é a Cuba que a Teologia da Libertação apoia?

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Um fato revelador

Minha intenção ao escrever este artigo não é a de fazer uma análise política, nem tampouco a de emitir uma opinião política; necessitarei, contudo, valer-me de alguns fatos políticos e sociais para evidenciar a triste impostura de alguns membros da Igreja Católica, especificamente membros adeptos da Teologia da Libertação (TdL) que, a despeito de todas as evidências da inspiração comunista do Governo de Cuba, pós-revolução de 1959 até hoje, insistem em apoiar os Governos que lá foram se sucedendo, em detrimento do que o Magistério da Igreja orienta a respeito do comunismo; agindo, portanto, como revolucionários que desejam implantar uma mudança de paradigma no seio dessa mesma Igreja.

Pelo que se tem notícia, desde o dia 11 de julho deste ano os cubanos têm saído às ruas para protestar contra o regime comunista. A ilha foi sacudida na capital, Havana, e em outras 40 cidades, e os grupos estavam sendo liderados, muitas vezes, por jovens. O governo reprimiu com violência feroz os movimentos, detendo mais de 170 pessoas até o dia 14, inclusive jornalistas. Muitos manifestantes levaram surras aplicadas por guardas armados com cassetetes. “As imagens da violência rodaram o mundo e foram exibidas no site Cubanet, da oposição em Miami (EUA)” . O ditador comunista Miguel Díaz-Canel, nas primeiras horas dos protestos, foi à televisão e, afirmando mais de uma vez que “Las calles son de los revolucionários” (“as ruas são dos revolucionários”), como se pode verificar pelo vídeo do Partido Comunista de Cuba que foi publicado no Youtube, fez uma convocação chocante: “Tienen que pasar por encima de nuestros cadáveres se quieren enfrentar la revolución, y estamos dispuestos a todo, y estaremos en las calles combatiendo (…), habrá una respuesta revolucionaria, y por eso también aquí estamos convocando a todos los revolucionários del país, a todos los comunistas, a que salgan a las calles, en qualquier de los lugares donde se vayan a procucir estas provocaciones, hoy, desde ahora, y en todos estos días, y enfrentarlas con decisión, con firmeza, con valentia” (“Têm que passar por cima de nossos cadáveres se querem enfrentar a revolução, e estamos dispostos a tudo, e estaremos nas ruas combatendo (…), haverá uma resposta revolucionária, e por isso também aqui estamos convocando a todos os revolucionários do país, a todos os comunistas, para que saiam às ruas, em qualquer dos lugares onde se vão produzir essas provocações, hoje, desde agora, e em todos estes dias, e enfrentá-las com decisão, com firmeza, com valentia”).

Não há como negar que o sucessor de Raúl Castro conclamou uma espécie de guerra civil para que seja defendida a Revolução Cubana. Díaz-Canel disse literalmente que essa revolta que se opõe ao Governo de Cuba terá que “pasar por encima de nuestros cadáveres” (“terá que passar por cima de nossos cadáveres”) se quiserem enfrentar a Revolução – e consequentemente o Comunismo que ali se estabeleceu por meio dela.
Está muito claro que Cuba vive sob uma ditadura comunista; qual é, porém, a relação disso com o Brasil? O escritor Percival Puggina nos dá algumas pistas:

“ ‘Por que esse seu interesse sobre Cuba e a pobreza que lá viu, quando aqui, sob seus olhos, uma terça parte da população vive abaixo da linha da miséria’?, indagou-me, certa feita, um comunista. E eu respondi que essa pergunta deveria ser dirigida à caravana petista que acompanhou Lula à Ilha no início de 2001, deveria ser dirigida aos participantes do Fórum Social Mundial que disputaram às cotoveladas o privilégio de assistir à conferência do presidente do Parlamento cubano, deveria ser dirigida a quem estendeu a bandeira daquele país na sacada do Palácio Piratini durante a posse do governador Olívio Dutra e aos que deixaram que ela ali permanecesse, deveria ser dirigida aos jornalistas, sociólogos e professores universitários que escreveram os vários livros de exaltação do regime cubano que tive o cuidado de ler antes da minha primeira viagem a Havana, e deveria ser dirigida, por fim, aos que andam por nossas ruas ostentando camisetas com a estampa do Che ou enfeitadas com a iconografia da revolução de 1959. Minha curiosidade era pura consequência e produto de grande preocupação” .

Essa relação do Governo revolucionário de Cuba com as esquerdas brasileiras é notória; contudo, desde que a Revolução tomou o poder na Ilha, em 1959, o comunismo ainda lutava por mais espaço no Brasil. “Depois da queda do Muro de Berlim, em 1989, a primeira vez que a estrela, símbolo da esquerda (presente nas bandeiras da China e de Cuba, e também do PT; e na boina de Che), fez uma curva ascendente” foi com a eleição de Lula para a Presidência da República, em 2002. “Lula é fruto das CEBs e da Teologia da Libertação” , e aí é que entra a responsabilidade de alguns setores da Igreja Católica na ascensão do marxismo na política e no âmbito eclesial brasileiros. De maneira mais esquemática, podemos afirmar: os Governos revolucionários de Cuba têm vínculo com líderes da esquerda política brasileira, os quais foram catapultados ao poder contando com o auxílio de membros da TdL que, por sua vez, passaram também a estreitar vínculo com os Governos revolucionários e comunistas de Cuba. Assim, os Governos (desde 1959) de Cuba, as esquerdas políticas brasileiras, e os adeptos da TdL passam a ter vínculos mútuos, formando um só bloco de influência e poder, compartilhando objetivos e agindo em estratégias conjuntas, no sentido de disseminar o comunismo na América Latina por meio da política e da ação, apoiadas pela pregação de setores da Igreja. Atentemos para o fato de que esses membros da TdL não se uniram ao povo pobre de Cuba, mas aos seus governantes maquiavélicos, opressores, e que sempre viveram mergulhados no fausto. Os integrantes da TdL sempre bradaram que o povo cubano foi beneficiado com a ascensão do regime comunista, que este o teria levado a uma espécie de “paraíso” na Terra; o relato dos habitantes da ilha, porém, mostra exatamente o contrário. Em meio a pedidos contínuos de liberdade e mudança de regime na ilha controlada pelos comunistas, Eduardo Cardet, líder do Movimento Cristão de Libertação (Movimiento Cristiano Liberación – MCL) em Cuba, é muito claro na descrição do que está acontecendo este ano na ilha:

“A ditadura mantém a internet e as redes sociais bloqueadas para evitar que os cubanos se comuniquem uns com os outros e espalhem imagens e notícias sobre o que está acontecendo atualmente na ilha. No entanto, as manifestações pacíficas em nossa cidade e em várias cidades em toda a Cuba têm sido uma manifestação autêntica e civil de nosso povo exigindo liberdade, exigindo mudanças radicais que nos permitam viver com qualidade.
A resposta do regime tem sido a repressão excessiva, o uso letal da força que tem causado muitas vítimas, incluindo mortes e ferimentos. Infelizmente, aquele que ocupa o cargo presidencial, o ‘ditador de plantão’ do nosso país, Miguel Díaz Canel, deu a ordem direta de confronto, para que o sangue flua, para aqueles que supostamente se identificam com a revolução, bem como as forças repressivas do regime para atacar civis desarmados com total impunidade. Estes civis estavam pacificamente demonstrando, fazendo uso de um direito legítimo.
Atualmente, as forças repressivas do governo estão realizando uma onda maciça de prisões em todo o país. Eles estão supostamente detendo e transferindo para prisões aqueles que participaram das manifestações pacíficas, especialmente os jovens. Depoimentos de funcionários do governo indicam a possibilidade de julgamentos rápidos e sentenças de prisão de até 20 anos.
Muitas pessoas dentro e fora da ilha que fazem parte do regime ou querem defendê-lo a todo custo vendem a falsa ideia de que os protestos do povo cubano são devido à dolorosa situação causada por fatores externos, como o que chamam erroneamente de embargo norte-americano, a situação do COVID e outros. A causa da profunda crise sistêmica e estrutural que nós cubanos sofremos é um regime fracassado; é a ditadura que nos oprime, que viola nossos direitos, tira nossas liberdades, e torna impossível para nós construir um presente e futuro de esplendor. (…) A resposta da hierarquia da Igreja tem sido muito lamentável porque sempre consideramos que o papel fundamental da Igreja Católica é identificar-se com a dor dos outros, independentemente da raça, religião ou realidade econômica. A Igreja deve se identificar com aquele que sofre, com aquele que é espancado, perseguido e necessitado. Essa é a mensagem do Evangelho. A Igreja precisa deixar de lado alinhamentos políticos e outros interesses obscuros, e identificar-se totalmente com as necessidades humanas, lutando pelo bem-estar do homem, não importa onde ele esteja.
Felizmente, há um grande número de padres e pastores que estão acompanhando seus paroquianos, o povo de Cuba. Alguns foram até reprimidos ou até mesmo agredidos por ajudar nosso povo em marchas pacíficas. É o caso do padre Castor Alvarez, que foi espancado e detido por mais de um dia depois de participar das marchas na cidade de Camagüey. Isso nos enche de orgulho e transmite uma mensagem de força e esperança.”

Por herança, a ditadura

Esse relato de um regime violento e impiedoso combina com a descrição que se faz do comportamento dos primeiros revolucionários que tomaram o poder na ilha, há 62 anos. Ou seja, nada mudou de lá para cá. Che Guevara, por exemplo, foi famoso por seus pelotões de fuzilamento, que executavam prisioneiros mesmo sem terem sido julgados:

“Embora Che Guevara fosse o chefe supremo dos tribunais, muitos dos executados não receberam qualquer julgamento. Os poucos – e farsescos – julgamentos horripilavam e nauseavam os presentes, inclusive alguns antigos defensores da revolução. O já citado Erwin Tetlow, correspondente do London Daily Telegraph em Havana, começou a reconsiderar sua opinião à medida que assistia às condenações e sentenças de morte anunciadas quase que mecanicamente. E ficou especialmente aturdido quando viu vários desses veredictos anunciados num quadro – antes que os julgamentos começassem. Certo dia, no início de 1959, uma das cortes revolucionárias de Che declarou que Pedro Morejón, capitão do exército cubano, era na verdade inocente. Isto levou o também comandante Camilo Cienfuegos a procurar por Che. ‘Se Morejón não for executado’, gritou, ‘eu mesmo vou meter um balaço nos seus miolos!”. A corte, frenética, se reuniu novamente e logo chegou a um novo veredicto. Morejón foi executado no dia seguinte.

‘Eu fui a um julgamento como repórter da NBC’, lembra a lenda do rádio nova-iorquino Barry Farber. ‘O caso do réu Jesús Sosa Blanco me deixou especialmente horrorizado. Tive que sair daquele lugar. Depois um colega me disse que a promotoria – é simplesmente odioso ter de dar nomes legais a estes procedimentos – e apenas a promotoria pediu para que uma das testemunhas apontasse o culpado – e ela apontou um revolucionário! Ela não pôde reconhecer o suposto ‘criminoso de guerra’ que eles estavam julgando. Este tipo de coisa se prolongou por horas a fio. Não havia uma única testemunha de defesa. Eu estive entre os jovens idealistas que de início aplaudiram a revolução, mas logo em seguida, e relativamente cedo, percebi algo de muito errado – percebi que Cuba se encaminhava para uma situação muitíssimo mais problemática que a anterior’.”

Talvez o mais famoso dos revolucionários cubanos, Fidel Castro, por sua vez, exigia um certo nível intelectual e cultural de sua escolta, e o que formava esses homens era um ensino cubano impregnado pelo clima de Guerra Fria e pelo pensamento marxista. Eis algumas das matérias estudadas: “materialismo dialético”, “materialismo histórico”, “história do movimento operário cubano”, “ação subversiva inimiga”, “contraespionagem”, e ainda “crítica da corrente burguesa contemporânea” . Um dos guarda-costas de Fidel, que conviveu com ele por pelo menos 17 anos, denunciou traços impressionantes da personalidade desse ditador:

Minha conclusão: Fidel é uma pessoa egocêntrica que gosta de ser o centro das conversas e que monopoliza a atenção de todas as pessoas a seu redor. Por um lado, como muitos superdotados, não presta nenhuma atenção ao que veste, daí sua preferência por uniformes militares. Várias vezes o ouvi dizer: ‘Faz muito tempo que solucionei o problema do terno e gravata’. Idem para a barba. Ele dizia: ‘Farei a barba quando o imperialismo morrer’. Na verdade, era sobretudo por comodidade que evitava se barbear todos os dias. Outro traço de sua personalidade: era absolutamente impossível contradizê-lo no que quer que fosse. Tentar convencê-lo de que estava errado, que seguia pelo caminho errado ou que deveria modificar e melhorar um de seus projetos, mesmo que levemente, constituía um erro fatal a quem o cometesse. Quando isso acontecia, Fidel deixava de ver seu interlocutor como uma pessoa inteligente. Para viver ao seu lado, o melhor era aceitar tudo o que ele dizia e fazia, mesmo durante uma partida de basquete ou uma pescaria. (…) Ao contrário do que sempre se afirmou, Fidel nunca renunciou ao conforto capitalista, nem escolheu viver com austeridade. Seu modo de vida é exatamente o oposto, assemelha-se ao de um capitalista sem qualquer tipo de restrição. Nunca considerou ter que seguir seus discursos sobre o modo de vida austero próprio a todo bom revolucionário. Ele e Raúl nunca aplicaram a si mesmos os preceitos que recomendavam aos compatriotas. De onde podemos concluir que Fidel é um homem extremamente manipulador. Dotado de uma inteligência intimidante, ele é capaz de manipular uma pessoa ou um grupo de pessoas sem dificuldade ou escrúpulos. (…) O problema é que mentir sem pudor fazia parte dos muitos ‘talentos’ de Fidel…” .

Fidel Castro perdera a fé religiosa já no fim da adolescência, conduzindo seus pensamentos para a esfera da rebelião . Castro tinha uma concepção totalmente distorcida da fé católica, considerava Jesus Cristo não o Filho de Deus encarnado, nem o Redentor da Humanidade, mas apenas um “símbolo”, uma “figura extraordinária” com um determinado pensamento revolucionário. Nas palavras de Fidel:

“Nesse terreno político e revolucionário, jamais percebi uma contradição entre as ideias que sustento e as ideias daquele símbolo, daquela figura extraordinária que me foi tão familiar desde que me conheço por gente. Minha atenção sempre recaiu sobre os aspectos revolucionários da doutrina cristã e do pensamento de Cristo. Mais de uma vez, ao longo desses anos, tive a oportunidade de demonstrar a coerência existente entre o pensamento cristão e o pensamento revolucionário.”

Mais tarde, tendo já conquistado a vitória de sua revolução, Castro vivia à caça de belas mulheres, chegava atrasado a reuniões, era calculista e enigmático . Antes de 1960, Fidel não falava nada sobre Marx, Engels, ou Lenin, evitando discursos anti-imperialistas, na expectativa de conseguir ajuda econômica dos Estados Unidos. Não conseguindo o auxílio desejado, ressentiu-se e adotou uma atitude antiamericana , endureceu o regime em Cuba, assumiu o controle do Partido Comunista e substituiu seus principais veteranos .

“Nisso, uma delegação soviética visitou Havana para estudar a situação do país. Castro, a essa altura ávido por obter o apoio da URSS para contrabalançar a recusa de ajuda dos americanos, procurou convencer os visitantes de que era marxista-leninista convicto. Ofereceu-lhes lautos jantares e vinhos esplêndidos, em ‘reuniões’ que chagaram a durar nove horas. Castro disse ao líder do Komsomol Sergei Pavlov que estava lendo ‘Dez dias que abalaram o mundo’, de John Reed, e chamou a atenção para a semelhança entre a república soviética sitiada em 1917-1918 e a situação do regime revolucionário cubano na época. Novato no comunismo internacional, ele não sabia que o livro de Reed havia sido banido da URSS por suas referências favoráveis a Trotski. ‘E querem saber de uma coisa?’, observou Castro com entusiasmo, ‘A revolução cubana não começou dois anos atrás: ela começou em 1917. Se não fosse a revolução de vocês, a nossa não teria acontecido. Portanto, a revolução cubana tem 43 anos!’ Implorou que o convidassem para uma visita à União Soviética. Manifestou o desejo de ir caçar com os amigos nos bosques russos, em vez de discursar em reuniões oficiais. (…) Os setores privados na esfera da indústria e do comércio continham potenciais defensores da contrarrevolução. Seria necessário manter uma severa vigilância dos meios de comunicação. O povo cubano precisava ser convencido de que o governo estava agindo em benefício dele. A situação estava levando Fidel a mostrar-se inclinado a adotar estruturas, métodos e ideias desenvolvidas pelos marxistas-leninistas desde 1917. Esse era o primeiro caso de comunização de um país por um líder que adotou o comunismo depois de tomar o poder .

A conivência da TdL

Foi a tal espécie de ditador que o Cardeal D. Paulo Evaristo Arns, então Arcebispo de São Paulo, mandou uma carta, em dezembro de 1988, em que se congratulava pelo trigésimo aniversário da revolução marxista em Cuba, país no qual se estaria implantando o “Reino de Deus” :

“Queridíssimo Fidel, Paz e bem. Aproveito a viagem de Frei Betto para lhe enviar um abraço e saudar o povo cubano pela ocasião do 30º aniversário da Revolução. Todos nós sabemos com quanto heroísmo e sacrifício o povo de seu País conseguiu resistir às agressões externas e erradicar a miséria, o analfabetismo e os problemas sociais crônicos. Hoje em dia Cuba pode sentir-se orgulhosa de ser no nosso continente, tão empobrecido pela dívida externa, um exemplo de justiça social. A fé cristã descobre, nas conquistas da Revolução, os sinais do Reino de Deus, que se manifesta em nossos corações e nas estruturas que permitem fazer da convivência política uma obra de amor” .

Interpelado por tal carta de um prelado estrangeiro, o episcopado cubano – em parte exilado pela ditadura de Fidel em Miami (EUA) – resolveu dirigir ao Cardeal Arns uma Carta Aberta, escrita por três Bispos, na qual lhe expõem a situação de Cuba como eles a veem e experimentam enquanto cidadãos cubanos diretamente atingidos pelo regime castrista. Nessa Carta se lê:

“Emmo. Sr. Cardeal Paulo Evaristo Arns, OFM, Arcebispo de São Paulo, Brasil. Eminentíssimo Sr. Cardeal Arns, Dirigimo-nos a Vossa Eminência em forma pública por duas razões principais: primeiramente, porque o fato que ocasiona esta carta é de ordem pública, tendo sido noticiado pela imprensa nacional e internacional; em segundo lugar, porque, tendo escrito a V. Emcia. em termos privados, não recebemos respostas, após haver esperado durante um razoável prazo. Nossas cartas anteriores a V. Emcia. estão datadas de 18 de janeiro (Mons. Boza Masvidal) e 23 de fevereiro (Mons. Román e Mons. San Pedro) de 1989. O tema da presente missiva é a mensagem de Natal enviada por V. Emcia. ao Sr. Castro, ditador vitalício de Cuba, por ocasião dos trinta anos de tomada do poder. Não repetiremos o que dissemos em nossa correspondência privada, embora nos permitamos fazer um resumo dos pontos principais que abordamos na mesma. Dizíamos a V. Emcia. que seria muito longo expor toda a situação do país no tocante à discriminação, falta de liberdade religiosa, etc.; assinalamos o caráter discutível das conquistas e das promoções, porque, de um lado, se fazem o preço ético e espiritual demasiado alto e, por outro lado, são benefícios muito relativos (carta de Mons. Boza Masvidal). Também lhe recordamos que Cuba sofre, já há trinta anos, de uma cruel e repressiva ditadura militar num Estado policial que viola ou suprime constante e institucionalmente os direitos fundamentais da pessoa humana. Entre outras provas desta situação, mencionávamos as aventuras militares do castrismo, que custaram milhões de dólares ao povo cubano e milhares de vítimas à sua juventude (carta de Mons. Román e Mons. San Pedro). Seria longo comentar, ponto por ponto, todas as afirmações de V. Emcia. na sua referida mensagem, mas julgamos necessário assinalar algumas das mais surpreendentes. Estima Sua Emcia. que ‘hoje em dia Cuba pode sentir-se ufana por ser, em nosso continente tão empobrecido pela dívida externa, um modelo de justiça social’. Não queremos fazer V. Emcia. dizer o que não disse; mas, lendo esta frase, poder-se-ia pensar que Cuba não está, como o resto do continente, empobrecida pela dívida externa. Estamos certos de que V. Emcia. sabe que Cuba tem enorme dívida externa não somente para com os países ocidentais, mas também para com os países comunistas; segundo os últimos dados postos à nossa disposição, esta dívida sobe aproximadamente ao teor de 5.500 milhões de dólares. No tocante à justiça social, da qual V. Emcia. afirma que Cuba é modelo em nosso continente, desejamos recordar-lhe que, enquanto um número bastante exíguo de hierarcas do Governo desfruta de todas as comodidades da vida, o povo se vê reduzido ao nível de sobrevivência. Eminência, alguns de nós estiveram recentemente em Cuba não para discutir a maneira de cozinhar camarões e lagostas com o ‘comandante’, mas para conviver com nosso povo e compartilhar com ele as suas angústias e a sua dor. Estamos certos de que V. Emcia. não deseja para o seu querido Brasil uma situação na qual um reduzidíssimo número retenha irreversivelmente todo o poder político e econômico, do qual abusa para o seu proveito próprio e para perpetuar-se no poder, enquanto a população em geral é mantida em condições de sujeição total equivalente à da minoridade. Sr. Cardeal, pergunte, por favor, a seus amigos que visitam Cuba e se encontram com os personagens da ditadura, se alguma vez viram qualquer destes a esperar pacientemente com o cartão de racionamento na mão para poder comprar uma libra de carne de nove em nove dias ou duas camisas por ano, como o resto da população. Diz ainda V. Emcia. que ‘a fé cristã descobre nas conquistas da revolução os sinais do reino de Deus que se manifesta em nossos corações e nas estruturas que permitem fazer da convivência política uma obra de amor’. Não sabemos por que, ao ler estas frases, nos vêm à mente aquelas outras de Paulo VI em que afirma que ‘a Igreja… recusa a substituição do anúncio do Reino pela proclamação das libertações humanas e proclama também que a sua contribuição para a libertação não seria completa se se descuidasse de anunciar a salvação em Jesus Cristo. A Igreja… nunca identifica libertação humana e salvação em Jesus Cristo, porque sabe… que não é suficiente instaurar a libertação, propiciar o bem-estar e o desenvolvimento para que chegue o Reino de Deus’ (Evangelii Nuntiandi, n. 34-350). Por outro lado, V. Emcia. afirmar que as estruturas vigentes em Cuba ‘permitem fazer da convivência política uma obra de amor’ é desconhecer totalmente a realidade cubana. Se as coisas fossem como diz V. Emcia., por que se há de considerar um delito tratar de escapar dessa convivência política que aqui é qualificada como ‘obra de amor’? Por que um país como Cuba, que mal conhecia a emigração, viu, em trinta anos de ditadura castrista, um milhão de seus cidadãos abandonar o país? Por que, no curto espaço de cinco meses em 1980, 125.000 pessoas se lançaram para o litoral da Flórida (U.S.A) num êxodo incontrolável? Que deveríamos pensar, Sr. Cardeal, se em cinco meses 1.100.000 brasileiros procurassem refúgio no Chile?”

Outro expoente da TdL no Brasil, Leonardo Boff, descreve assim uma sua agradável visita à ilha, a convite de Fidel Castro, para lá passar 15 dias, em 1985:

“As noites eram dedicadas a um longo jantar seguido de conversas sérias que iam pela madrugada adentro, às vezes até às 6.00 da manhã. Então se levantava, se estirava um pouco e dizia: ‘Agora vou nadar uns 40 minutos e depois vou trabalhar’. Eu ia anotar os conteúdos e depois, sonso, dormia. Alguns pontos daquele convívio me parecem relevantes. Primeiro, a pessoa de Fidel. Ela é maior que a Ilha. Seu marxismo é antes ético que político: como fazer justiça aos pobres? Em seguida, seu bom conhecimento da teologia da libertação. Lera uma montanha de livros, todos anotados, com listas de termos e de dúvidas que tirava a limpo comigo. Cheguei a dizer: ‘se o Card. Ratzinger entendesse metade do que o Sr. entende de teologia da libertação, bem diferente seria meu destino pessoal e o futuro desta teologia’. Foi nesse contexto que confessou: ‘Mais e mais estou convencido de que nenhuma revolução latino-americana será verdadeira, popular e triunfante se não incorporar o elemento religioso’. Talvez por causa desta convicção que praticamente nos obrigou a mim e ao Frei Betto a darmos sucessivos cursos de religião e de cristianismo a todo o segundo escalão do Governo e, em alguns momentos, com todos os ministros presentes” .

O teólogo jesuíta J. E. Martins Terra analisa a opção marxista de Boff, revelando que, em seus escritos, este sequer aplica-a de maneira coerente:

“Foi depois da publicação de seu livro ‘Cristo Libertador’ que Boff ficou conhecendo (através dos movimentos latino-americanos de ‘sacerdotes para o socialismo’, através de Assman , e sobretudo através da tese doutoral de seu irmão Clodovis Boff – ‘Teologia e prática: a teologia do político e suas mediações’) a necessidade da ‘mediação sócio-analítica’ para a teologização da realidade concreta sócio-política. A partir de então, Boff passou a falar do ‘marxismo na teologia para dar eficácia à fé’. Nas últimas publicações de Boff, as citações de Bultmann passaram a ser substituídas pelas de ‘Marx et consortes’. Mas o marxismo para Boff não passa de uma metateologia, uma linguagem teológica sobre o marxismo. Em nenhum de seus escritos Boff aplica coerentemente a análise marxista. Aliás, o único teólogo católico no Brasil capaz de tal empresa seria Hugo Assmann. Para Boff, as referências expressas à análise marxista são um puro recurso literário, para dar maior ‘mordência’, como ele diz, às expressões teológicas. Os termos ‘científico’ e ‘análise marxista’ exercem uma fascinação mítica. Basta saber salpicar pitadas desse condimento sobre qualquer guizado teológico, que ele será consumido vorazmente. (…) Uma das frases que causaram maior impacto e contribuíram muito para aureolar a figura mística de Boff foi sua declaração de ‘aceitar, de antemão, qualquer correção da Santa Sé porque prefere caminhar com a Igreja em vez de isolar-se com sua teologia’. Pena que essa frase venha sendo repetida inoperantemente há quase oito anos. Em 1979, Boff repetia a D. Ivo que acataria todas as retificações das teses de seus livros que a Igreja lhe pedisse (J.B., 13.01.80). Nesse mesmo ano renovava, em Madri, essa declaração: ‘Acatarei sempre a palavra da Igreja. Para mim a relação com a Igreja é mais importante que continuar ensinando teologia’ (ESP, 30.01.80). Apesar dessas sucessivas declarações, Boff, de fato, nunca aceitou nenhuma correção que a Igreja lhe pediu. Há mais de quatro anos, seu Bispo diocesano recebeu uma lista de proposições heréticas que Boff estaria ensinando num curso em Petrópolis. Boff negou que ensinasse tais teses. O Bispo pediu então, para poder defendê-lo contra contínuas acusações, que declarasse por escrito que não ensinava tais teses. Boff pediu tempo para pensar e nunca mais retornou ao Bispo, preferindo antes ficar destituído de ‘mandato’ do que submeter-se ao magistério episcopal como prescreve o cânone 218” .

Analisando-se, por exemplo, a participação de frades dominicanos na rede de apoio a Carlos Marighella (político, escritor e guerrilheiro comunista marxista-leninista brasileiro), fica claro que a TdL “realmente existente” tem estreitas ligações com o marxismo e, consequentemente, com o comunismo e o terrorismo latino-americano:

“Dentre os dominicanos que participaram da rede de apoio a Marighella, o mais famoso de todos foi Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto. Em livro publicado em 1982, ‘Batismo de sangue: os dominicanos e a morte de Carlos Marighella’, levado às telas de cinema em 2006, Betto, amigo íntimo do ditador comunista Fidel Castro e conselheiro do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva , narra de forma bastante romantizada seu engajamento na luta armada. Descrevendo em detalhes as torturas sofridas nas mãos dos agentes da repressão policial-militar, sem qualquer menção negativa ao terrorismo de esquerda – sempre reivindicando liricamente como uma forma de ‘resistência’ à ditadura –, o livro apresenta uma visão edulcorada e romântica de Marighella e da luta armada. Tenta sustentar, inclusive, uma versão fantasiosa sobre uma fictícia infiltração da CIA na ALN, que teria levado à morte de Marighella, versão contestada até mesmo por militantes de esquerda. O papel de Betto, que foi preso em 1969, carregando uma mensagem de Marighella a Fidel Castro, era o de abrigar militantes procurados pela polícia e ajudá-los a fugir para o exterior . (…) Por trás da cooperação dos frades dominicanos com terroristas de extrema-esquerda estava a ‘teologia da libertação’. Mesmo alguns religiosos ‘progressistas’ que serviam de apoio ao terrorismo de esquerda, nutriam fortes dúvidas sobre esse caminho. Um deles, Frei Tito – considerado um mártir da repressão por ter-se suicidado na França, após ter sido preso e torturado – admitia, em seu íntimo, o caráter inconciliável da opção armada com a mensagem cristã, considerando ‘insanável o conflito entre o cristianismo e o marxismo de Marighella’. Por sua vez, Marighella não padecia desses escrúpulos. Em junho de 1969 ele escreveu em seu Minimanual: ‘O guerrilheiro urbano eclesiástico é um integrante ativíssimo da guerra revolucionária brasileira em curso’. ”

Em síntese, uma triste impostura da TdL

Em nenhum momento, D. Paulo Evaristo Arns, Leonardo Boff, ou Frei Betto, assim como os demais expoentes latino-americanos da TdL, fizeram qualquer referência às mais de 100 milhões de vítimas do comunismo no mundo inteiro, nem tampouco relativizaram esse caminho revolucionário, objetiva e claramente condenado por inúmeros documentos do Magistério da Igreja Católica. Esses e outros tantos adeptos da TdL, “guerrilheiros eclesiásticos”, empenharam-se todos esses anos em discutir futilidades, sem emitir um mínimo juízo crítico sobre o pensamento revolucionário, sobre as contradições entre a ditatura comunista de Cuba e a fé católica, ou sobre o modo desumano com o qual os Governos que foram se sucedendo na ilha trataram o povo cubano, este que agora, farto de ser tão mal tratado e explorado por seus governantes, reclama abertamente da falta total de liberdade e de auxílio humanitário. Existem, portanto, duas Cubas: uma do povo pobre e desassistido, que esteve desde sempre quase totalmente abandonado; e a outra Cuba, a dos ditadores comunistas e seus asseclas, apoiados e incensados pelos seguidores da TdL. Sempre vitimizando-se hipocritamente, a ditatura de Cuba não fez outra coisa todo esse tempo, desde 1960, a não ser considerar os Estados Unidos da América como a fonte única de todos os males que afligiram e que afligem a ilha, escondendo cinicamente o fato de que a inimizade com os norte-americanos, assim como a submissão voluntária da ditadura cubana ao comunismo, deveu-se exclusivamente a um caprichoso ressentimento de Fidel Castro por não ter conseguido empréstimos econômicos junto àquele país. Os integrantes da TdL não só assumiram como verdade tudo quanto proclamaram até hoje os ditadores cubanos, como ainda auxiliaram a promoção do comunismo na ilha e em outros países da América Latina, inclusive no Brasil, dando à luz governantes criminosos que quase levaram à falência a economia brasileira, desobedecendo e tratando com indiferença o ensinamento católico, que sempre condenou inequivocamente o marxismo e suas ramificações.
Semear mundo afora pensamentos contrários ao que ensina a Santa Igreja é o mesmo que promover inimigos da fé cristã e suscitar o seu aumento em número e em perversão. Todo católico, seja leigo, consagrado, ou clérigo, deveria estudar e rever sempre os textos magisteriais de referência para esses assuntos, deixando-se guiar por eles. Assim, para contribuir com um estudo mais acurado, próprio dos que desejam apoiar-se na segura doutrina católica, segue abaixo uma exaustiva lista de documentos do Magistério que condenam o Marxismo, o Comunismo, e o Socialismo. Nosso agradecimento e oração ao Pe. Pedro Paulo Alexandre, da Arquidiocese de Florianópolis, que com paciência compilou todos esses títulos e observações (recomendo aos leitores que assistam ao vídeo em que o Pe. Pedro Paulo fala sobre o Comunismo: (2) Karl Marx era satanista? | Clube Campagnolo – YouTube).

Pe. Bernardo Maria Goulart
Monge do Mosteiro Cisterciense Nsa. Sra. de Nazaré
Rio Pado – RS
www.nazare.org.br
Telegram: @cister_riopardo

 

MAGISTÉRIO DA IGREJA CATÓLICA

Pio IX:
– Encíclica Qui pluribus (9 de novembro de 1846)
– Alocução Quibus quantisque (20 de abril de 1849)
– Encíclica Nostis et nobiscum (8 de dezembro de 1849)
– Alocução Singulari quadam (9 de dezembro de 1854)
– Encíclica Quanto conficiamur (10 agosto 1863)
– Encíclica Quanta cura (8 de dezembro de 1864)
– Syllabus (1864)

Leão XIII:
– Encíclica Quod Apostolici Muneris (28 de dezembro de 1878)
– Encíclica Diuturnum illud (29 de junho de 1881)
– Encíclica Humanum Genus (20 de abril de 1884)
– Encíclica Rerum Novarum (15 de maio de 1891)

Pio XI:
– Encíclica Quadragesimo Anno (40º aniversário da Rerum novarum, 15 de maio de 1931)
– Encíclica Divini Redemptoris (19 de março de 1937)

Pio XII:
– Decreto do Santo Ofício (28 de junho de 1949)
– Encíclica Ad Apostolorum Principis (29 de junho de 1958)

João XXIII:
– Santo Ofício (25 de março de 1959)
– Encíclica Mater et Magistra (15 de maio de 1961)

Paulo VI:
– Encíclica Ecclesiam Suam (6 de agosto 1964)
– Constituição Pastoral Gaudium et spes (7 de dezembro de 1965)
– Carta Apostólica Octogesima Adveniens (80º aniversário da Rerum novarum, 14 de maio de 1971)

Catecismo da Igreja Católica (1992 / 1997)
– Nº 2425

Denzinger:
– Nº 2786
– Nº 3865
– Nº 3930
– Nº 3939

Na encíclica Humanum Genus, Leão XIII afirma que o comunismo visa como fim a supressão da religião, das leis morais e à subversão universal (cf. Leão XIII, Humanum Genus, 20 de abril de 1894, Vozes, Petrópolis pp. 20-21).

“[…] não concilia-se com a doutrina católica. Socialismo e Catolicismo são termos contraditórios. Ninguém pode ser socialista e católico ao mesmo tempo.” (Papa Pio XI, Encíclica Quadragesimo Anno, n. 120, 1931).

HEINRICH DENZINGER – PETER HÜNERMANN

Pio IX: Encíclica “Qui pluribus” [erros diversos] (9 de novembro de 1846)

Outros erros do tempo

DH 2786:
[…vão inventando que os homens podem conseguir a salvação eterna em qualquer religião …,] a isto <visa> aquela doutrina funesta e sobejamente contrária ao direito natural que é o comunismo, como é chamado, uma vez admitida a qual, se derrubariam completamente os direitos, os patrimônios, as propriedades e até a sociedade humana .

Decreto do Santo Ofício 28 de junho (1 de julho) de 1949
AAS 41 (1949) pág. 334

Decreto contra o comunismo

DH 3865:
Questão 1: É permitido aderir ao partido comunista ou favorecê-lo de alguma maneira?
Resposta: Não; o comunismo é de fato materialista e anticristão; embora declarem às vezes em palavras que não atacam a religião, os comunistas demonstram de fato, quer pela doutrina, quer pelas ações, que são hostis a Deus, à verdadeira religião e à Igreja de Cristo .

Questão 2: É permitido publicar, divulgar ou ler livros, revistas, jornais ou tratados que sustentam a doutrina e ação dos comunistas ou escrever neles?
Resposta: Não, pois são proibidos pelo próprio direito [cf. CIC, cân. 1399 [1917].

Questão 3: Fiéis cristãos que consciente e livremente fizerem o que está em 1 e 2, podem ser admitidos aos sacramentos?
Resposta: Não, segundo os princípios ordinários determinando a recusa dos sacramentos àqueles que não têm a disposição requerida.

Questão 4: Fiéis cristãos que professam a doutrina materialista e anticristã do comunismo, e, sobretudo os que a defendem ou propagam, incorrem pelo próprio fato, como apóstatas da fé católica, na excomunhão reservada de modo especial à Sé Apostólica?
Resposta: Sim.

Perguntas e Respostas (confirmadas pelo Papa Pio XII, a 30 de junho)

L’Osservatore Romano, 27 de julho de 1949
(publicou um extenso editorial comentando o Decreto contra o Comunismo)

Incorrem na excomunhão reservada de modo especial à Santa Sé os fiéis que professam a doutrina materialista e anticristã dos comunistas e sobretudo os que a defendem ou a propagam. O materialismo nega a existência de um Deus pessoal, a espiritualidade da alma, a liberdade da vontade e qualquer recompensa ou castigo depois desta vida. Quem professa essa doutrina, pelo próprio fato de professá-la, se destaca da comunidade e da fé cristã. É, portanto, um apóstata (cânon 1.325, § 2, do Código de Direito Canônico de 1917).

Resposta do Santo Ofício, 25 de março (4 de abril) de 1959
AAS 51 (1959) 271s

Eleições de delegados que apoiem o comunismo

DH 3930:
Pergunta: É permitido aos cidadãos católicos, ao elegerem os representantes do povo, darem seu voto a partidos ou a candidatos que, mesmo se não proclamam princípios contrários à doutrina católica e até reivindicam o nome de cristãos, apesar disto se unem de fato aos comunistas e os apoiam por sua ação?
Resposta (confirmada pelo Sumo Pontífice João XXIII a 2 de abril):
Não, segundo a norma do Decreto do S. Ofício de 1 de julho de 1949, n.1. [3865].

Papa João XXIII retomou este texto durante o concílio, 3 de junho de 1963.

João XXIII: Encíclica “Mater et Magistra” (15 de maio de 1961)
Ed.: AAS 53 (1961) 405-447

Resumo da doutrina social de Pio XI

DH 3939:
O Bispo Supremo lembra que as teorias dos chamados comunistas e dos cristãos se contradizem radicalmente. Nem podem os católicos de modo algum aderir às teorias dos socialistas, que parecem representar uma posição mais moderada. Pois da opinião destes resulta, antes de tudo, que a ordem da vida social, limitada a este tempo caduco, é orientada exclusivamente para o bem-estar nesta vida mortal; e resulta também, como a convivência e sociedade humana só serve para a produção de bens, a liberdade humana é por demais diminuída, sendo negligenciada a verdadeira noção da autoridade social.

Constituição Pastoral Gaudium et spes (7 de dezembro de 1965)

Atitude da Igreja perante o ateísmo

21. A Igreja, fiel a Deus e aos homens, não pode deixar de reprovar com dor e com toda a firmeza, como já o fez no passado (16) , essas doutrinas e atividades perniciosas, contrárias à razão e à experiência comum dos homens, e que destronam o homem da sua inata dignidade.
Procura, no entanto, descobrir no espírito dos ateus as causas da sua negação de Deus, e, consciente da gravidade dos problemas levantados pelo ateísmo, e, levada pelo amor dos homens, entende que elas devem ser objeto de um exame sério e profundo.

Catecismo da Igreja Católica (1992 / 1997)

III. A doutrina social da Igreja

CIC 2425 :
A Igreja tem rejeitado as ideologias totalitárias e ateias associadas, nos tempos modernos, ao “comunismo” ou ao “socialismo”. Além disso, na prática do “capitalismo”, ela recusou o individualismo e o primado absoluto da lei do mercado sobre o trabalho humano (575) . A regulamentação da economia exclusivamente por meio planejamento centralizado perverte na base os vínculos sociais; sua regulamentação unicamente pela lei do mercado vai contra a justiça social, “pois há muitas necessidades humanas que não podem atendidas pelo mercado” (576) . É preciso preconizar uma regulamentação racional do mercado e das iniciativas econômicas, de acordo com uma justa hierarquia de valores e em vista do bem comum.

Compêndio da Doutrina Social da Igreja (2004)

III. A Doutrina Social do nosso tempo: Acenos Históricos

b) Da «Rerum novarum» aos nossos dias

DSI 89:
A «Rerum novarum» enumera os erros que provocam o mal social, exclui o socialismo como remédio e expõe, precisando-a e atualizando-a, «a doutrina católica acerca do trabalho, do direito de propriedade, do princípio de colaboração contraposto à luta de classe como meio fundamental para a mudança social, sobre o direito dos fracos, sobre a dignidade dos pobres e sobre as obrigações dos ricos, sobre o aperfeiçoamento da justiça mediante a caridade, sobre o direito a ter associações profissionais» [144] . A «Rerum novarum» tornou-se a «carta magna» da atividade cristã em campo social [145] .

DSI 92:
Pio XI não deixou de elevar a voz contra os regimes totalitários que durante o seu pontificado se afirmaram na Europa. Já no dia 29 de Junho de 1931 Pio XI havia protestado contra os abusos do regime totalitário fascista na Itália com a Encíclica «Non abbiamo bisogno» [155] .

Com a Carta encíclica «Divini Redemptoris», sobre o comunismo ateu e sobre a doutrina social cristã (19 de Março de 1937) [158] , Pio XI criticou de modo sistemático o comunismo, definido como «intrinsecamente perverso» [159] , e indicou como meios principais para pôr remédio aos males por ele produzidos, a renovação da vida cristã, o exercício da caridade evangélica, o cumprimento dos deveres de justiça no plano interpessoal e social, em vista do bem comum, a institucionalização de corpos profissionais e interprofissionais.

Os pronunciamentos sociais do Magistério sempre condenaram explicitamente a proposta marxista (comunismo/socialismo), uma vez que, dentre outras razões, essa doutrina parte de uma visão antropológica reducionista (materialismo histórico), nega o direito de propriedade e viola a liberdade humana. Por outro lado, a Igreja, sem descuidar de sua posição crítica, favorece e apoia as formas democráticas de governos, pois nelas os princípios cristãos são mais bem guardados (cf. DOCAT, n. 213 e 221).

Heinrich DENZINGER – Peter HÜNERMANN

Marxismo e socialismo. Diversos enfoques adotados pelos cristãos em relação ao que é o marxismo e o socialismo como vontade de defender a justiça e a igualdade sem levar em consideração o exercício de poder do socialismo histórico 4505; aproximação do marxismo por causa de seu desenvolvimento histórico 4506; o marxismo como execução da luta de classes 4507; o marxismo como exercício do poder político e econômico sob a direção de um único partido que promete garantir o bem-estar de todos 4507; o marxismo com doutrina socialista que se apoia no materialismo histórico e nega todo o transcendente 4507; o marxismo como método científico que estuda as relações sociais e políticas e a união entre teoria e prática na revolução 4507; aproximação à “análise marxista”: aplicação do método marxista à situação do Terceiro Mundo, especialmente da América Latina 4730s.

A doutrina cristã e o marxismo: existe o perigo de que os cristãos entendam o socialismo como algo perfeito. É necessário um juízo exato sobre ele 4505.

É perigoso esquecer o vínculo que une as diversas formas de marxismo (4505) 4508; aprovar diversos elementos da pesquisa marxista sem levar em consideração sua união com a doutrina 4508; aderir à luta de classes e à sua interpretação marxista 4508.

Coincidência dos sistemas neomarxistas em princípios fundamentais que estão em contradição com a concepção cristã do ser humano e da sociedade 4732; esses princípios são a “luta de classes” 4733; o ateísmo e a negação da pessoa humana, de sua liberdade e de seus direitos 4734; Cf. C 4fc (Liberdade); C 4kh (Ateísmo); G 3cf (Igreja e ateísmo); um entendimento falso da natureza espiritual da pessoa, negação dos princípios de uma vida social e política comprometida com a dignidade humana, exigência de submissão total na sociedade 4734; interpretação política radical das sentenças de fé e dos juízos teológicos 4735; mediante a adoção da análise marxista na teologia fica subordinada a doutrina da fé ou a teologia à teoria da luta de classes 4735; a participação na luta de classes torna-se exigência do próprio amor 4736; o amor ao próximo e a fraternidade tornam-se um princípio escatológico para o tempo depois da revolução 4736; os ricos tornam-se os principais inimigos de classe 4736; recusa-se o caminho não-violento do diálogo 4736; considerasse a Igreja de maneira puramente imanente 4737; os pobres da Sagrada Escritura são confundidos com o proletariado de Karl Marx pelas “teologias da libertação” 4738; Cf. C 4ke (Pobres); transforma a defesa dos direitos dos pobres em luta de classes 4738; entende-se por igreja do povo uma igreja de classes, a Igreja do povo oprimido, cuja “consciência” deve ser despertada pela Igreja 4740.

A Igreja não aceita a teoria da luta de classes (3170) 3973 4508 (4628) 4735s 4773; aconselha uma luta sincera e honrada em favor da justiça social e da solidariedade 4773; Cf. C 4gc (Justiça e paz); C 4gm (Libertação e mudança de estruturas); L 5e (Princípio de solidariedade); L 7 (Ordem social: violência).

Doutrina do coletivismo: os meios de produção passam a ser propriedade do Estado 4698s; o coletivismo em todas as suas formas é contrário à doutrina social da Igreja 3726 4766; o fato de que os meios de produção passem a ser propriedade estatal de acordo com doutrina do coletivismo não responde de modo algum à socialização dessa propriedade 4698s; Cf. L 11 (Ordem da propriedade).

O comunismo: altera a relação entre cidadãos e sociedade 2786 3773 3939; mina o direito à propriedade 2786; é proibido apoiá-lo 3865 3930; depois da queda do totalitarismo marxista 4910.

O socialismo (também ao moderado) está em contradição com os princípios cristãos 2892 2918 3742-3744 a3939; os socialistas limitam o direito à liberdade de associação 3939.

Materialismo. Socialismo burocrático, capitalismo tecnocrático, forma tirânica de democracia e seu esforço para encontrar uma resposta para as grandes questões da justiça e igualdade 4510; o perigo desses sistemas: materialismo, preocupação com as vantagens próprias, opressão 4510.

A cultura consumista como cultura das necessidades artificiais 4812; a mera acumulação de bens e prestação de serviços não traz felicidade 4811 4904 4908.

Formas espirituais de morte: as filosofias do egoísmo, do prazer, do desespero e do nada 4492.

O capitalismo: como sistema 4691; como antítese do socialismo ou comunismo 4691.

A doutrina cristã e o capitalismo: é um erro do capitalismo primitivo tratar o ser humano como instrumento e não de acordo com a verdadeira dignidade de seu trabalho 4691; a concepção do capitalismo deve ser continuamente revista para ser melhorada levando em consideração os direitos humanos 4698; Cf. 4ic (Ordem do trabalho humano); L 10-12 (Ordem do trabalho, da propriedade, da economia).

Liberalismo. Renovação das doutrinas do liberalismo 4509; liberalismo desenfreado 4451; o comércio livre como norma 4463; livre jogo da concorrência 4454.

A doutrina cristã e o liberalismo: existe o perigo de que os cristãos entendam o liberalismo como algo perfeito: como expressão da causa em favor da liberdade 4510; os cristãos devem julgar cuidadosamente a doutrina dos liberais 4509.

O liberalismo filosófico é, levando em consideração sua procedência, a falsa garantia da autonomia 4509; Cf. C 4fc (Liberdade: abuso de liberdade).

A lei da justiça não é inerente ao livre comércio: os preços combinados por livre acordo podem ter consequências injustas. Daí um princípio básico do liberalismo ser questionável 4463; reprovam-se as concepções: [O principal incentivo para fomentar o progresso econômico é o lucro, a livre concorrência é a forma suprema da economia, a propriedade privada dos meios de produção é um direito absoluto sem limites e uma tarefa social ligada a esse direito] 4451; Cf. L 12 (Ordem econômica).

A Igreja desaprova o liberalismo e seu individualismo 3772 3937 3940s 4451 (4454) (4330) 4463 4509 4766; Cf. L 7 (Ordem social: doutrinas e sistemas sociais).

A doutrina da Igreja se opõe a todas as formas de individualismo social ou político 4766; deve-se evitar o individualismo em relação à propriedade 3726 3741 4330 4766; repudia-se uma ética puramente individualista 4330.

***

CONSERVAÇÃO DA FÉ. Uma incredulidade meramente negativa não é pecado 1968.
É proibida a pertença: a sociedades secretas (maçons) 2511s 2783 2894 3156-3160 (3278s); -: a sociedades bíblicas 2771 2784; -: a círculos teosóficos 3648; -: ao partido comunista 2786 3865 3930 (3939).

Deve-se diferenciar -: o erro e a pessoa que erra (por causa da dignidade da pessoa) 3996 (4316) 4328; -: iniciativas no âmbito social e cultural e erros filosóficos produzidos com elas 3997.

Incorrem na excomunhão reservada de modo especial à Santa Sé os fiéis que professam a doutrina materialista e anticristã dos comunistas e sobretudo os que a defendem ou a propagam. O materialismo nega a existência de um Deus pessoal, a espiritualidade da alma, a liberdade da vontade e qualquer recompensa ou castigo depois desta vida. Quem professa essa doutrina, pelo próprio fato de professá-la, se destaca da comunidade e da fé cristã. É, portanto, um apóstata (cânon 1.325, § 2, do Código de Direito Canônico de 1917

 

DH 3930:

Pergunta: É permitido aos cidadãos católicos, ao elegerem os representantes do povo, darem seu voto a partidos ou a candidatos que, mesmo se não proclamam princípios contrários à doutrina católica e até reivindicam o nome de cristãos, apesar disto se unem de fato aos comunistas e os apoiam por sua ação?

Resposta (confirmada pelo Sumo Pontífice João XXIII a 2 de abril):

Não, segundo a norma do Decreto do S. Ofício de 1 de julho de 1949, n.1. [3865].

 

Papa João XXIII retomou este texto durante o concílio, 3 de junho de 1963.

 

João XXIII: Encíclica “Mater et Magistra” (15 de maio de 1961)

Ed.: AAS 53 (1961) 405-447

Resumo da doutrina social de Pio XI

 

DH 3939:

O Bispo Supremo lembra que as teorias dos chamados comunistas e dos cristãos se contradizem radicalmente. Nem podem os católicos de modo algum aderir às teorias dos socialistas, que parecem representar uma posição mais moderada. Pois da opinião destes resulta, antes de tudo, que a ordem da vida social, limitada a este tempo caduco, é orientada exclusivamente para o bem-estar nesta vida mortal; e resulta também, como a convivência e sociedade humana só serve para a produção de bens, a liberdade humana é por demais diminuída, sendo negligenciada a verdadeira noção da autoridade social.

 

Constituição Pastoral Gaudium et spes (7 de dezembro de 1965)

Atitude da Igreja perante o ateísmo

  1. A Igreja, fiel a Deus e aos homens, não pode deixar de reprovar com dor e com toda a firmeza, como já o fez no passado (16)[1], essas doutrinas e atividades perniciosas, contrárias à razão e à experiência comum dos homens, e que destronam o homem da sua inata dignidade.

Procura, no entanto, descobrir no espírito dos ateus as causas da sua negação de Deus, e, consciente da gravidade dos problemas levantados pelo ateísmo, e, levada pelo amor dos homens, entende que elas devem ser objeto de um exame sério e profundo.

 

Catecismo da Igreja Católica (1992 / 1997)

III. A doutrina social da Igreja

CIC 2425[2]:

A Igreja tem rejeitado as ideologias totalitárias e ateias associadas, nos tempos modernos, ao “comunismo” ou ao “socialismo”. Além disso, na prática do “capitalismo”, ela recusou o individualismo e o primado absoluto da lei do mercado sobre o trabalho humano (575)[3]. A regulamentação da economia exclusivamente por meio planejamento centralizado perverte na base os vínculos sociais; sua regulamentação unicamente pela lei do mercado vai contra a justiça social, “pois há muitas necessidades humanas que não podem atendidas pelo mercado” (576)[4]. É preciso preconizar uma regulamentação racional do mercado e das iniciativas econômicas, de acordo com uma justa hierarquia de valores e em vista do bem comum.

 

Compêndio da Doutrina Social da Igreja (2004)

III. A Doutrina Social do nosso tempo: Acenos Históricos

  1. b) Da «Rerum novarum» aos nossos dias

DSI 89:

A «Rerum novarum» enumera os erros que provocam o mal social, exclui o socialismo como remédio e expõe, precisando-a e atualizando-a, «a doutrina católica acerca do trabalho, do direito de propriedade, do princípio de colaboração contraposto à luta de classe como meio fundamental para a mudança social, sobre o direito dos fracos, sobre a dignidade dos pobres e sobre as obrigações dos ricos, sobre o aperfeiçoamento da justiça mediante a caridade, sobre o direito a ter associações profissionais» [144][5]. A «Rerum novarum» tornou-se a «carta magna» da atividade cristã em campo social [145][6].

 

DSI 92:

Pio XI não deixou de elevar a voz contra os regimes totalitários que durante o seu pontificado se afirmaram na Europa. Já no dia 29 de Junho de 1931 Pio XI havia protestado contra os abusos do regime totalitário fascista na Itália com a Encíclica «Non abbiamo bisogno» [155][7].

 

Com a Carta encíclica «Divini Redemptoris», sobre o comunismo ateu e sobre a doutrina social cristã (19 de Março de 1937) [158][8], Pio XI criticou de modo sistemático o comunismo, definido como «intrinsecamente perverso» [159][9], e indicou como meios principais para pôr remédio aos males por ele produzidos, a renovação da vida cristã, o exercício da caridade evangélica, o cumprimento dos deveres de justiça no plano interpessoal e social, em vista do bem comum, a institucionalização de corpos profissionais e interprofissionais.

 

Os pronunciamentos sociais do Magistério sempre condenaram explicitamente a proposta marxista (comunismo/socialismo), uma vez que, dentre outras razões, essa doutrina parte de uma visão antropológica reducionista (materialismo histórico), nega o direito de propriedade e viola a liberdade humana. Por outro lado, a Igreja, sem descuidar de sua posição crítica, favorece e apoia as formas democráticas de governos, pois nelas os princípios cristãos são mais bem guardados (cf. DOCAT, n. 213 e 221).

 

Heinrich DENZINGER – Peter HÜNERMANN

Marxismo e socialismo. Diversos enfoques adotados pelos cristãos em relação ao que é o marxismo e o socialismo como vontade de defender a justiça e a igualdade sem levar em consideração o exercício de poder do socialismo histórico 4505; aproximação do marxismo por causa de seu desenvolvimento histórico 4506; o marxismo como execução da luta de classes 4507; o marxismo como exercício do poder político e econômico sob a direção de um único partido que promete garantir o bem-estar de todos 4507; o marxismo com doutrina socialista que se apoia no materialismo histórico e nega todo o transcendente 4507; o marxismo como método científico que estuda as relações sociais e políticas e a união entre teoria e prática na revolução 4507; aproximação à “análise marxista”: aplicação do método marxista à situação do Terceiro Mundo, especialmente da América Latina 4730s.

 

A doutrina cristã e o marxismo: existe o perigo de que os cristãos entendam o socialismo como algo perfeito. É necessário um juízo exato sobre ele 4505.

É perigoso esquecer o vínculo que une as diversas formas de marxismo (4505) 4508; aprovar diversos elementos da pesquisa marxista sem levar em consideração sua união com a doutrina 4508; aderir à luta de classes e à sua interpretação marxista 4508.

Coincidência dos sistemas neomarxistas em princípios fundamentais que estão em contradição com a concepção cristã do ser humano e da sociedade 4732; esses princípios são a “luta de classes” 4733; o ateísmo e a negação da pessoa humana, de sua liberdade e de seus direitos 4734; Cf. C 4fc (Liberdade); C 4kh (Ateísmo); G 3cf (Igreja e ateísmo); um entendimento falso da natureza espiritual

[1] 16. Cfr. Pio XI, Enc. Divini Redemptoris, 19 março 1937: AAS 29 (1937), p. 65-106; Pio XII, Enc. Ad Apostolorum Principis, 29 junho 1958: AAS 50 (1958), p. 601-614; João XXIII, Enc. Mater et Magistra, 15 maio 1961: AAS 53 (1961) p. 451-453; Paulo VI, Enc. Ecclesiam Suam, 6 agosto 1964: AAS 56 (1964), p. 651-653.

João XXIII, Enc. Mater et Magistra (15 maio 1961), n. 34: “Entre comunismo e cristianismo, o pontífice declara novamente que a oposição é radical, e acrescenta não se pode admitir de maneira alguma que os católicos adiram ao socialismo moderado: quer porque ele foi construído sobre uma concepção da vida fechada no temporal, com o bem-estar como objetivo supremo da sociedade; quer porque fomenta uma organização social da vida comum tendo a produção como fim único, não sem grave prejuízo da liberdade humana; quer ainda porque lhe falta todo o princípio de verdadeira autoridade social.”

Paulo VI, Enc. Ecclesiam Suam (6 de agosto 1964), n. 56: “Estas razões que nos obrigam, como obrigaram os nossos Predecessores e com eles todos quantos têm a peito os valores religiosos, a condenar os sistemas ideológicos negadores de Deus e opressores da Igreja, sistemas muitas vezes identificados com regimes econômicos, sociais e políticos, e entre estes de maneira especial o comunismo ateu. Poder-se-ia dizer que, rigorosamente, não somos nós que os condenamos, mas que esses sistemas e os regimes que os personificam se colocam em oposição radical de ideias conosco e praticam atos de opressão. A nossa queixa é, afinal, mais que sentença de juiz, lamentação de vítima.”

Paulo VI, Carta Apostólica Octogesima Adveniens (14 de maio de 1971), n. 26: “Também para o cristão é válido que, se ele quiser viver a sua fé numa ação política, concebida como um serviço, não pode, sem se contradizer a si mesmo, aderir a sistemas ideológicos ou políticos que se oponham radicalmente, ou então nos pontos essenciais, à sua mesma fé e à sua concepção do homem: nem à ideologia marxista, ou ao seu materialismo ateu, ou à sua dialética da violência, ou, ainda, àquela maneira como ele absorve a liberdade individual na coletividade, negando, simultaneamente, toda e qualquer transcendência ao homem e à sua história, pessoal e coletiva…’

[2] 676, 1886.

[3] Cf João Paulo II, Carta encíclica Centesimus annus, 10: AAS 83 (1991) 804-806; Idem, 13: AAS 83 (1991) 809-810; Idem, 44: AAS 83 (1991) 848-849.

[4] João Paulo II, Carta encíclica Centesimus annus, 34: AAS 83 (1991) 836.

[5] Congregação para a Educação Católica, Orientações para o estudo e o ensino da Doutrina Social na formação sacerdotal, 20: Tipografia Poliglota Vaticana, Cidade do Vaticano 1988, p. 24.

[6] Cf. Pio XI, Carta encicl. Quadragesimo anno, 39: AAS 23 (1931) 189; Pio XII, Radiomensagem em comemoração do 50° aniversário da « Rerum novarum»: AAS 33 (1941) 198.

[7] Cf. Pio XI, Carta encicl. Non abbiamo bisogno: AAS 23 (1931) 285-312.

[8] Texto oficial (em latim): AAS 29 (1937), 4, 65-106.

[9] Cf. Pio XI, Carta encicl. Divini Redemptoris, 58: AAS 29 (1937) 130.