Texto baseado no livro: “A condenação de Emília”, de autoria de Ilan Brenman, que nos alerta para o perigo do politicamente correto na literatura infantil.

 

Enquanto programas como ‘TV Globinho’ e ‘TV Colosso’ são proibidos na televisão aberta e, as propagandas de brinquedos que nos fizeram desejar a tesoura do Mickey, o Castelo de Grayskull ou a Casa da Barbie com todas as nossas forças são proibidas para não estimular o consumismo infantil, livros infantis que descreve lambidas sexuais entre raposa e jabuti são permitidos. Uma clara inversão de valores.

O pensamento revolucionário construiu uma sociedade em que é proibido desejar um brinquedo – e usar de todo o repertorio infantil de convencimento com os nossos pais e avós para comprar -, mas é totalmente aceitável crianças dançaram funk e lerem livros com forte conteúdo sexual.

Não há crime ou repulsa em crianças hipersexualizadas, idiotizadas com os olhos no celular, desde a mais tenra idade, sendo educadas por Lucas e Felipes Netos da vida, enquanto os pais estão ocupados com suas vidas frustradas e workaholics para não terem que criar os rebentos como se fazia antigamente.

Mas há crime em proporcionar sonhos e desejos por cada brinquedo cheio de luz, sons e cores que passam nas propagandas. Segundo os especialistas da Rede Globo, isso gera grande frustração nas pobres crianças.

A esquerda revolucionária que criminaliza propagandas infantis e enaltece o funk, fortaleceu a criminalidade a um ponto que as crianças não podem mais brincar na rua, como nós brincávamos. Não há mais cirandas, queimadas, polícia e ladrão… Mãe da rua, futebol – o gol era no portão daquele vizinho chato que furava a bola -, amarelinhas, bicicletas etc. A revolução destruiu a infância saudável, com o apoio dos ‘especialistas’ globais.

Trancadas, perdidas em seus mundinhos virtuais, mal-educadas, sensíveis demais e solitárias. Suicidas.

 

Nova Língua ou Novilíngua

Parece que estamos vivendo a distopia 1984, de George Orwell e, a ‘novilíngua’ é uma prova disso. A mudança dos significados das palavras e até da escrita, criando o falso ‘preconceito linguístico’ para que os preguiçosos não se esforcem e não se sintam ‘excluídos’. É a destruição da herança, da identidade e do patriotismo.

Em 1984, Orwell profetiza o politicamente correto que estamos vendo hoje. A novilíngua é um linguajar modulado por palavras que podem e que não podem ser ditas. Tudo para não magoar os sentimentos da juventude sensível que não pode se sentir contrariada ou frustrada.

Vou citar quatro exemplos: Ao invés de perguntar o sexo, agora tem que perguntar o gênero, para não ofender uma parcela ínfima da população que se recusa a tratar um problema psiquiátrico chamado disforia de gênero.

Outro exemplo é criar o Dia da Família nas escolas para não chatear quem não tem pai ou mãe.

O impedimento do setor obstétrico de se referir as mulheres gestantes como “mamães”, pois ofende as mulheres que se travestem de homem e engravidaram. Conhece algum homem com útero e que gesta uma vida? Não? Nem eu.

Por último, rechaçar pessoas magras das peças publicitárias para não ofender as obesas.

O livro infantil do Distrito Federal

O livro escolhido pela Secretária da Educação do Distrito Federal é o livro “Estórias de Jabuti”. A descrição é um tanto quanto incomoda, por isso peço, caso se sinta constrangido, pule para o próximo subtítulo:

“O Jabuti…deixando o traseiro para cima, untou seu fiofó com bastante mel e ali ficou esperando a Raposa. Logo que ela apareceu, o Jabuti começou a soltar peidos, e a cada peido voava uma abelha. A Raposa, que gostava muito de mel, vendo aquele líquido lustroso, meteu o dedo e provou. – É mel! – disse. Outra raposa, que estava com ela, falou: – Mel, nada; parece o fiofó do Jabuti. Mas a raposa não quis ouvir mais nada. Meteu a língua para chupar o mel.”

Embora os pais dos alunos tenham denunciado a escolha do livro e contestaram os textos ali constantes, a Secretaria de Educação do DF afirmou que o livro não consta no Programa Nacional do Livro Didático, mas irá recolher os exemplares que forem encontrados em escolas da capital federal.

“A Secretaria de Educação realizou um levantamento e não identificou a entrada do livro na rede pública do DF pelo Programa Nacional do Livro Didático. A Gerência das Políticas de Leitura, dos Livros e das Bibliotecas foi incumbida de recolher o título, se constatar que eventualmente entrou numa escola pública por fontes não oficiais”, disse a secretaria, em nota.

O portal da revista Oeste lembrou que o livro consta no guia do Programa Nacional Biblioteca na Escola, publicado em 2014.

 

O politicamente correto

O politicamente correto surgiu nos anos de 1960 e 1970, nas universidades americanas, inspirada no pensamento do filósofo francês Jacques Derrida (1930-2004), com o conceito de ‘’desconstrução’’. Tal conceito permitiria ‘revelar ‘, na leitura de textos toda ordem, inclusive literários, a marca de preconceitos raciais, sexuais etc.

Segundo Jacques Derrrida (2004) a ‘desconstrução’, que deveria ser uma visão crítica do pensamento ocidental e partia do princípio de que qualquer texto, por mais que objetivasse clareza, neutralidade, cientificidade, enfim, uma lógica, sempre possuía uma ambiguidade, uma negação do dito e assim por diante. As incongruências do texto estariam na própria escrita.

De acordo com o autor, existiria uma falsidade no texto, com intenções ocultas, muitas vezes colocadas inconscientemente pelo autor.

Jorge Larrosa explica que a revolução tem produzido nos últimos 30 anos no âmbito das humanidades, à qual, por comodidade, seguiremos chamando revolução pós-estruturalista, que não é outra coisa que uma dissolução do cânone de textos fundamentais e o advento de nonas maneiras de ler.

Como consequência dessa revolução cultural, departamentos de leitura das universidades americanas foram perdendo prestígios e verbas. Por outro lado, departamentos de estudos culturais ganhavam força política e destaque midiático. O gênero, a raça e a classe por trás das obras, importavam mais do que sua função poético-imagética.

Outra consequência foi a retirada de grandes clássicos dos currículos escolares e universitários para agradar a patrulhas ideológicas das minorias.

O politicamente correto nos contos de fadas e nas cantigas infantis matam a imaginação e a aceitação infantil, já que ninguém consulta as crianças para reescrever as histórias, o folclore e as cantigas. As crianças não se atraem e nem refletem quando o conto é ameno. Elas gostam de ação, sangue, violência, terror, romance e humor em grandes doses.

A história da censura alheia às palavras começa com a busca incessante dos homens pelo poder, pelo controle e pela manutenção do status quo.

Tem registros de censura desde 428 a.C, quando Platão desenhou a ‘Cidade-Ideal’. Platão era contrário ao uso da poesia imitativa pois tinha consciência da influência poderosa que a poesia tinha sobre a mente humana.

Platão considerava a ficção, principalmente a de Homero e seus seguidores, prejudicial a mente dos educandos, sobretudo a mente dos soldados, setor da sociedade fundamental para a República platoniana. A função dos poetas deveria educar e não divertir.

Platão também era contrário a livros escritos. Segundo ele, prejudicaria a memória e, as pessoas passariam a confiar mais nos livros do que nas suas recordações.

Rousseau também era avesso a livros. Ele proibia alunos de lerem livros até os 12 anos, pois considerava a leitura flagelo da infância. Em contrapartida, Rousseau teve sua formação humanística fortemente ligada as histórias que seu pai lhe contava quando ele tinha por volta de cinco anos de idade.

A leitura na infância auxilia na formação do caráter e na consciência de si mesmo.

Importante: “Essa força da palavra-texto, da leitura-palavra, foi compreendida por inúmeros déspotas e líderes espirituais. O analfabetismo trazia, e traz ainda, uma força descomunal às mãos daqueles que o mantêm. E, como não podemos forçar a alguém a desaprender a ler, o melhor a fazer é proibir os olhos de se encontrarem com textos “perigosos” à ordem vigente. Caso a censura não resolva, recorre-se a queima de livros.

Obras como ‘Mil e Uma Noites’, que habita em todo imaginário infantil, foi reescrito diversas vezes para atender ao ‘politicamente correto’ de cada época. As edições corrigem algumas baixezas e retiram passagens consideradas deploráveis por aquele que a reescreve.

Outras obras, como o ‘Sítio do Pica Pau Amarelo’ foram censuradas. Essa censura é chamada de ‘ciclo diacrônico’, onde uma obra escrita tem um contexto histórico do momento vivido e, os ‘censores’ as consideram agressivos para a sociedade atual.

Getúlio Vargas dizia que: “Todo e qualquer escrito capaz de desvirtuar esse programa é perigoso para o futuro da nacionalidade. O nosso mal até aqui foi justamente liberdade excessiva aos escritores, quando é o livro o mais forte vínculo de educação”.

Getúlio chegou ao poder em 1930 e a sociedade acreditava que com ele, a sociedade liberal seria concretizada. O livre pensamento e a liberdade de expressão estariam garantidos, mas não. Na verdade, a censura se intensificou na era getulista.

No final de 1933, o ministro da Justiça, Francisco Antunes Maciel:
“… publicava no Diário da Assembléia Nacional as regras de controle. Proibiam-se: ‘as críticas ao governo em termos acrimoniosos; expressões e referências pejorativas aos seus membros, notícias que pudessem prejudicar a ordem pública e estimular subversões, agressões pessoais a quem quer que fosse, críticas aos governos estrangeiros e seus representantes, informações que pudessem produzir alarmes ou apreensões e, finalmente, boatos de tendenciosidade manifesta”.

Em 1939, Getúlio Vargas criou o DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda). Houve prisões, torturas, apreensões de milhares de livros e, como Getúlio era simpatizante do nazismo, seguindo seus ensinos, invadia editoras, apreendia livros e os queimava.

Monteiro Lobato foi um dos alvos de Getúlio Vargas. Em 1947 ele escreveu o livro ‘Zé Brasil’ que foi considerado perigoso para a segurança nacional, mesmo que os censores sequer tenham lido.

Hoje, Monteiro Lobato é alvo da esquerda, que o acusa de ser racista inveterado.

A censura atingiu as revistas em quadrinhos (HQs). Destaca-se no livro “A Condenação de Emília”, na pág 107, que um padre, durante o governo ditatorial de Getúlio Vargas queria censurar as HQs por conta dos personagens exacerbarem violência, sexualidade e, segundo o padre Arlindo Vieira, os conteúdos eram imorais, alienantes e desnacionalizantes.

O que chama a atenção é que os quadrinhos não foram censurados e sim o padre. A DIP mandou cessar as suas críticas e o padre passou a bradar que estava sofrendo censura.

Roberto Marinho e Adolfo Aizen eram os maiores responsáveis pelos sucessos das comics no Brasil e, não se sabe qual era a forte influência que ambos exerciam no governo getulista para não perderem o direito da veiculação das HQs.

Harry Potter, o bruxinho astuto das histórias de Rowling, que morava na fantástica cidade de Hogwarts não escapou dos olhos inquisidores. Enquanto Monteiro Lobato, em 1947, foi acusado de ser comunista pela história de Zé do Brasil, o bruxinho que alimentou a imaginação de milhares de crianças, foi acusado de fazer apologia ao capitalismo, em 2004, por um intelectual francês.

Nem a autora de Harry Potter saiu ilesa dessa patrulha doente. J. K. Rowling foi acusada de transfobia por fazer duas constatações óbvias: Sexo biológico não pode ser alterado.

“Pessoas que menstruam.”, começa o texto de J.K. “Eu tenho certeza que costumava existir uma palavra para essas pessoas. Alguém me ajude. Wumben? Wimpund? Woomud?” (em referência à palavra “women”, mulheres, em inglês)”, frisa Rowling no Twitter e, continua: “Se o sexo não é real, a realidade vivida das mulheres em todo o mundo é apagada. Conheço e amo pessoas trans, mas apagar o conceito de sexo remove a capacidade de muitos discutirem significativamente suas vidas”, finalizou Rowling.

A segunda observação da autora que levantou aquele cheiro de chorume esquerdista quando foi noticiado a decisão de policiais por classificar estupradores com genitália masculina como mulheres, caso o agressor se identifique com o gênero feminino foi:

“Guerra é paz. Liberdade é escravidão. Ignorância é força. indivíduo com pênis que estuprou você é uma mulher”, opinou ela na publicação, feita no Twitter.

Pois é. Duas observações obvias que não deveriam causar qualquer estupor e muito menos ocupar as manchetes. Mas, atualmente, ela foi ousada. Ela feriu o politicamente correto. Se recusou a entrar na espiral do silêncio e se curvar para essa militância esquizofrênica que sofre de dissonância cognitiva.

Pais

Não permitam que seus filhos façam parte dessa geração sensível, idiotizada, imbecilizadas.

Desliguem os celulares, orem com as crianças antes de dormir, confira se escovaram os dentes. Cantem as cantigas antigas, leiam as histórias antigas… Aquela que a Cinderela é acordada com um beijo de amor e a Branca de Neve encontra os sete anões.

Não se curvem a está geração que rechaça o cristianismo, que zomba daqueles que creem, que não podem ouvir “não” e que frustração leva ao suicídio.

Não deem tudo o que eles desejam materialmente, mas deem tudo o que eles desejam emocionalmente: A sua atenção, companhia, limites e amor.

Sejamos a revolução e a resistência: A revolução da educação antiga que transformava crianças em adultos aos 18 anos e a resistência contra o politicamente correto e a vulgarização da infância.