A idiotização do adulto de Jardim de infância
A idiotização do adulto de Jardim de infância

A idiotização do adulto de Jardim de infância

Que a manipulação da linguagem é uma das principais armas do movimento revolucionário, muitos de nós já sabemos. Todavia, muitas vezes observamos este processo somente pelo prisma do esvaziamento dos significados e manipulação dos referentes na realidade, exemplos: Estado democrático de direito, espírito republicano, homofóbico, racista, entre tantos outros.

Nesta breves linhas, pretendo chamar a atenção para outro método eficaz e muito sedutor, seja para o leitor ou para o autor: A soberba e/ou empáfia ao “recomendar ” algo ou dar instruções. Isso pode ser feito através de placas, avisos, argumentações retóricas e tantas outras oportunidades.

O objetivo final deste tipo de comunicação é aplicar diretamente ao interlocutor à espiral do silêncio, onde a mensagem que está sendo transmitida é de um valor inquestionável e que você precisa atender como uma criança no jardim de infância, também serve para atender a carência moral de quem transmite e de quem recebe a mensagem.

Neste período da pandemia do coronavírus, estamos cercados de exemplos. A maioria de nós já nos deparamos com uma placa ao lado do álcool gel, dizendo:

Higienize suas mãos! Proteja a sua vida e a dos outros.”

Pois bem, vejamos o que temos por trás desta frase: O autor imbuído de altruísmo e senso de dever comum menospreza o seu leitor, supondo que ele precise de um sentido maior, que o dará um senso magnânimo para um ato simples de esfregar álcool gel em suas mão, pois este interlocutor é uma pessoa que precisa ser conscientizada desta importância, da mesma forma que uma professorinha do jardim de infância diz ao seu aluno bagunceiro:

Arthurzinho, não coloque areia na boca por que ela é suja e você vai ficar dodói”.

Porém não podemos dar este crédito de engenharia social para quem escreve este tipo de avisos politicamente corretos, pois em sua maioria, sabemos, que tratam-se de intelectuais orgânicos descritos por Antonio Gramsci e agem de acordo com a revolução de maneira natural. Podemos prever que ao adicionar o complemento dando um sentido de altivez ao simples aviso, o autor infla seu peito e pensa algo como: “como sou bom, como tenho consciência coletiva e me preocupo com as pessoas, eu sou realmente uma boa pessoa”.

Da mesma forma, muitos que leem este aviso automaticamente correm com muito mais vontade para executar o gesto pensando também: “como sou bom, como tenho consciência coletiva e me preocupo com as pessoas, eu sou realmente uma boa pessoa”.

Uso este simples exemplo, para ampliar o nosso horizonte em algo muito objetivo que a revolução cria de problema e vende como solução: A ausência da régua moral.

Um dos principais alvos de todas as ideologias revolucionárias é subverter qualquer ordem existente na sociedade, principalmente a ordem moral, para isso é necessário esvaziar, principalmente no ocidente, a ordem moral cristã. Esvaziado as sociedade sobretudo do sentido da caridade e da humildade. Os pensadores revolucionários ou mesmo os simples intelectuais orgânicos precisam buscar âncoras na realidade para preencherem o vazio interior de suas pessoas, precisam sentir que estão fazendo algo de bom para alguém, mesmo distante do verdadeiro senso que isso naturalmente cria.

Como resultado disto, vemos os gestos mais absurdos sendo aplicados na escrita e na aplicação de espiral do silêncio, sempre com o verniz da “conscientização”, pressupondo que todos que lerão aquela mensagem são pessoas totalmente inertes à realidade, de seus deveres e que precisam ser ensinadas como criancinhas na caixa de areia do jardim de infância.

Por outro lado, temos um número cada vez maior de adultos e jovens-adultos que sentem-se confortáveis em acatar ordens das “professorinhas do jardim de infância” e ficam felizes por terem alguém que pense e cuide deles, ainda com a recompensa de uma falsa moral de que realmente está salvando o mundo.

Tenho uma forte intuição, caro leitor, que neste momento sua cabeça está fervilhando com diversos exemplos que os senhores presenciaram hoje mesmo e que refletem este breve pensamento. Lembremo-nos sempre: Não somos crianças carentes em busca de afirmações simples para fazermos o que é devido ou correto, também não precisamos massagear o ego de pessoas vazias e sem uma régua moral de valores verdadeiros que precisam exprimir sua carência até em uma simples placa para higienizar as suas mãos.